Duração relativa das coisas que cria no ser humano a ideia de presente, passado e futuro”; “período contínuo no qual os eventos se sucedem." ; “determinado período considerado em relação aos acontecimentos nele ocorridos; época”. Procurei e encontrei estas definições de tempo num dicionário.
No momento em que vivemos, o tempo vai além do mundo cronológico.
Contrariando alguns, a terra é comprovadamente redonda, e a cada volta, ciclos se encerram e novos se iniciam. Com o circular dos cronômetros e relógios, e a acelerada que a vida provoca, tenho a impressão que o tempo está + curto, e + acelerado.
Confirmando esta sensação, com a tecnologia controlando o ritmo, parece que não teremos tempo para fazer tudo que “precisamos”, ou achamos que precisamos. Sempre tive a impressão de estar atrasado, por + que acelerasse. Tanto que mantinha 10 minutos adiantado no relógio, me dando certa folga e evitar chegar depois da hora marcada.
Eternamente cheio de compromissos, já cheguei ao recorde de 6 eventos numa mesma noite. Consegui, mas detestei e combinei comigo mesmo que não repetiria. Desde que deixei o jornalismo impresso e diário que tenho procurado ditar meu ritmo, eu mo controle do meu tempo. A 1a providência foi aposentar os relógios de pulso. E se precisar, tenho no celular.
Numa época em que consegui participar de grupo de biodança e meditação, li Osho, que chamava atenção para a respiração consciente e viver focado no ‘aqui e agora’, ensinamentos que sigo até hoje. E assim vinha fazendo, até que em março ultimo, a vida deu 1 girada de 360 graus, com o aparecimento do Coronavírus numa mundial pandemia.
Doença desconhecida, sem remédios, vacinas ou tratamentos, e absurdamente rápida e contagiosa, a solução é o isolamento social, como única maneira de evitar + contaminações e mortes. Claro que máscaras funcionam como precaução, mas o seguro mesmo é ficar em casa, os que podem, claro. Quem trabalha com saúde e em setores de infraestrutura, é usar corretamente equipamentos de proteção individual e se cuidar.
Eu, 100% confinado em casa, com muito tempo pra pensar na vida, estava observando que hoje, entramos no 7* mês de 2020, mas com a impressão de que a o réveillon foi “outro dia”. Entramos neste 1* de julho, o 2* semestre, a 2a metade do ano.
Tava pensando, com a velocidade do cotidiano e a ocupação desenfreada do planeta, estávamos vivendo sem observar nosso comportamento e a vida que vivemos. Com o Meio Ambiente tão agredido e maltratado, nestes 3 meses com todos e tudo em outro ritmo, a Natureza vem se recuperando, apesar de ainda estar descontrolada. As constantes queimadas de florestas seguem destruindo e comprometendo a qualidade da vida. Ontem, fiquei horrorizado com o absurdo vendaval que passou ontem por vários estados do sul e sudeste.
Claro que fenômenos naturais existem, mas muitos são consequência das ações humanas (sic!). Neste momento em que devemos, e precisamos ficar em casa, vamos aproveitar pra pensar e repensar em como estamos nos comportando com nosso ambiente, incluindo fauna e flora e principalmente com os seres humanos. Egoísmo, ganância, avareza, soberba, preconceitos... não pode nem devem continuar como atitudes e sentimentos característicos da raça dita humana, inteligente, racional.
O que tenho visto é desolador, a grande maioria das pessoas só se preocupam consigo mesmas, e com os seus. A preocupação em acumular poder e riqueza é a maior das “pobrezas”. Lembrei de 1 pensamento meu, digo que ninguém é alguém sem outro alguém. É impossível ser feliz sozinho, nem triste. Pra mim, só é possível me sentir bem, se este bem for coletivo, compartilhado, como pão deve ser. Confesso que fico feliz quando vejo postagens de jantares maravilhosos, almoços caríssimos, num esnobe fausto, em + exemplos de ostentação. Tão ou + importante que ter, é aparentar, mostrar. Sinto tristeza e vergonha profundas.
Aproveito que estou confessando pensamentos pra confirmar que acho muito cafona não se preocupar com a coletividade, se achar melhor que os outros por ter muitos sobrenomes ou muitos dígitos no banco. O tempo passando, e tem quem se sinta feliz, sozinho, como se morasse numa redoma climatizada, com caríssimos móveis.
Este tempo passou, vamos nos antenar pra este novo momento, tempo de tratar bem, indistintamente. Não é tempo de exibir bens materiais, promover festas em plena pandemia, arriscando muitas vidas. É tempo de multiplicar gentilezas, com todos os seres vivos. Comprovadamente precisamos de todas as formas de vida, para que a Existência seja generosa com todos. Amplamente. É tempo de sermos conscientes em tudo que fazemos. Não dá para viver no “piloto automático”. É tempo de focar, ter atenção a nós mesmos e, principalmente, aos outros.
Precisamos usar o tempo a nosso favor, para não sermos suas vítimas. Nossas próprias vítimas. É tempo de solidariedade!!!

