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Em 2023, viaje sozinha/o

Em 2023, viaje sozinha/o
Arquivo Daniela Gama

Começo essa matéria desejando muito que em 2023 você faça uma bela viajem sozinha/o! Isso mesmo que vocês leram: SO-ZI-NHA/O! Vai soar estranho para muita gente, mas decidi escrever sobre isso por se tratar de uma experiência muito comum para mim, há mais de dez anos. E, no decorrer desse tempo e de tantas viagens realizadas com sucesso e muito prazer, recebo sempre mensagens de amigos e seguidores que dizem: “Meu sonho é conseguir (ter coragem e disposição) viajar sozinha/o!”. Mas, por que vocês não vão??? Sei que essa não é uma resposta fácil. Aliás, não se baseia em uma única resposta, mas em muitas, até porque cada ser humano, ao seu modo, carrega em si “o dom de ser capaz, de ser feliz”, não é verdade?! Já cantava Caetano há muitas décadas que “Cada um sabe a dor e a delícia de ser quem é”. E isso é um fato! Mas, acreditem, as experiências tendem a ser as melhores possíveis. Óbvio que com ressalvas e surpresas e é esse o grande barato das viagens.

Não consigo lembrar exatamente quando e qual foi a minha primeira viagem a sós, mas posso descrever que de litoral a montanhas, de Nordeste a Sul e de verão a inverno eu já tive muitas experiências que valeram a pena. Na verdade, SEMPRE VALE!

Em 2019 fui diagnosticada com Transtorno de Ansiedade e uma das coisas que meu médico maravilhoso me recomendou foi: “VIAJE! Tire um tempo para você. Esqueça os problemas porque você precisa estar VIVA para enfrentá-los e eles fazem parte da vida de todos nós. Viaje, relaxe, coloque os pés no chão, sinta a natureza, Daniela. A natureza fará parte do seu tratamento de cura!”. Bem, segui à risca todo o meu tratamento, incluindo, óbvio, a viagem. E fui sozinha. Escolhi Barra Grande, na península de Maraú, Bahia. Foi ali, naquela vila com requinte na culinária e muita simplicidade e alegria entre os moradores, que me reconectei comigo. Fui para passar uma semana e fiquei vinte dias. Não dava para ir embora assim, depois de estar apaixonada por aquele lugar, por aquela conexão com tudo que eu precisava viver. Depois disso já voltei a Barra Grande muitas vezes, com filha, com amigas, com namorado, mas aquela viagem inicial, que fiz só, nunca será esquecida. Aquela viagem foi muito especial!

 Não posso deixar de mencionar uma viagem sem qualquer programação que fiz uma certa feita, se não me engano, final de 2020, em pleno réveillon. Eu não queria passar a data em Salvador, onde moro. E no dia 30 de dezembro, já a noite, tive a ideia de ir para as montanhas do Espírito Santo (já escrevi sobre esse paraíso em outra matéria). Queria voltar a Pedra Azul e Domingos Martins para passar meus primeiros dias do ano, mas os voos para Vitória estavam a preço de SP/Paris. Viajar para o litoral em pleno réveillon no Brasil é para muitos $$$$. Foi quando tive a ideia de pegar um voo pra Belo Horizonte. A passagem estava tão barata que pensei: ou estará lotado ou realmente só eu saio da Bahia em pleno réveillon. Comprei passagem pro dia 31 meio dia e fui! A caminho do aeroporto reservei um hotel nos arredores da Lagoa da Pampulha, onde ocorre a queima de fogos de BH. E lá vou eu. E como tudo que fazemos com pressa, algo acaba saindo meio dos trilhos as vezes rsrsrs... Chegando ao hotel, com aquele alvoroço de fila, no meio da tarde do dia da virada do ano, o recepcionista quase chora ao me olhar e dizer que eu havia feito a reserva para dia 31 de janeiro. Sim, gente, 31 de janeiro!!!! E agora? Pra onde eu iria? Ahahahaha lá fui eu reservar outro hotel, longe da queima de fogos, porque – óbvio – não havia mais hotel naquela região com disponibilidade de vaga. Enfim, cheguei ao outro hotel já havia anoitecido e eu estava exausta. Comprei  um espumante, pedi um jantar no quarto, e passei a virada comemorando em chamada de vídeo com amigos e com a família, vendo a queima de fogos da Pampulha de longe. Feliz da vida!!!

No dia seguinte, as 7:00 hs da manhã, primeiro dia do ano, eu já estava embarcada num ônibus executivo indo para Pedra Azul, ES. Ali começava a segunda parte da viagem que durou dez dias e que foi uma das muitas viagens que fiz sozinha e que foram perfeitas.

Existem algumas coisinhas que quem viaja sozinho (e isso vale para homens e mulheres) precisa saber:

1 – Se programe em todos os sentidos: roupas apropriadas, remédios, telefones de pessoas da família anotados na carteira e agenda, dinheiro para alguma eventual emergência, contatos de pronto socorro e/ou delegacias dos lugares onde irá permanecer. A gente nunca espera precisar, mas é responsável ser precavido.

2 – Vá de coração aberto e alma livre para conhecer pessoas. Conversar com as pessoas que fazem parte do seu trajeto de viagem, desde os atendentes dos hotéis até o vendedor de pastel da barraquinha do centro te trazem conectividades normalmente positivas. E por mais introspectivo que você possa ser, falar com terceiros te fará muito bem.

3 – Faça contatos. Em minhas andanças já fiz tantos contatos, tantas amizades, que sempre que volto para esses lugares eu ainda sei o nome daquelas pessoas e eles sabem o meu. Quer troca de energia melhor que essa? Eu posso passar dois anos sem ir a Barra Grande, por exemplo, que ao voltar aqueles com quem convivi e dividi momentos de boas prosas, me chamarão de Dani assim que me avistarem. Isso não tem preço!

4 – Não tenha  medo de estar só. Acredite, o seu medo irá acabar quando você vivenciar a primeira experiência. Apenas se certifique dos cuidados necessários que todos nós adultos sabemos que precisamos ter e isso independe de estar viajando ou em nossa própria cidade.

5 – “Antes só do que mal acompanhado!” Essa velha frase é muuuuuuito real! Eu já tive experiências tão ruins (acho que por duas vezes) viajando com outras pessoas, que naquele momento eu só pensava: Meu Deus, como eu queria estar aqui sozinha! Tem coisa pior do que você viajar pra ser feliz e a viagem ser um desastre por conta de suas companhias? Não tem! Acreditem!

6 – Viajar sozinha pode sair mais caro. É um fato! Afinal, você irá custear sozinha o carro alugado, ou as corridas de uber, os jantares e passeios. Mas a paz... ahhh a PAZ, não tem preço. Vale muito cada centavo gasto a mais.

 Eu poderia descrever inúmeras experiências para vocês, mas daria um livro. Quem sabe um dia, né?! Quem sabe...

Finalizo desejando a todos os meus leitores um ano de 2023 muito especial. Que a gente possa VIVER mais. Que a gente de fato VIVA, mesmo em meio aos problemas, às decepções, às frustrações. Que a gente se CUIDE mais, se AME mais e distribua mais AMOR. Mas, especialmente, desejo que em 2023 você VIAJE SOZINHA/O, viva essa incrível experiência de amor consigo mesmo e depois me conte como foi lá no meu instagram @danigamafotografia . Combinado?

Um beijo grande e até a próxima matéria!

Daniela Gama

Colunista

Painel Alagoas 

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