Na guerra pelo poder a qualquer custo, políticos traem aliados, trocam de partidos pelo oportunismo e não pela ideologia, adversários históricos viram amigos de infância e está tudo bem, aliados ontem viram inimigos. Afinal, legendas, princípios, valores, trajetórias, tudo isso é bobagem quando a palavra de ordem é vencer, vencer e vencer.

Na disputa pelo governo de Alagoas, dois pré-candidatos se consideram favoritos, não pelo trabalho de cada um na política alagoana, mas pelos apoiadores que têm: o deputado Paulo Dantas, sob a proteção do senador Renan, e o senador Rodrigo Cunha, agora sob a guarda e guia do deputado Arthur Lira, presidente da Câmara Federal.

Dizem por aí, que o embate, na verdade, é entre Calheiros e Lira, os cabeças-de-chapa não passam de coadjuvantes. 

Tipo, briga de cachorro grande.

Dos 102 prefeitos alagoanos, contabiliza-se 60 para Dantas e o restante para Cunha, seriam os teleguiados por Renan Calheiros e por Lira, exatamente nessa ordem. Ou seja, quem for disputar o governo do estado por uma terceira via, já entra em desvantagem por essa matemática.

Mas quem disse que eleição é lógica?

A eleição ao governo de Alagoas de 2006 deveria ser referência histórica para quem já se sente o todo-poderoso agora. 

O empresário João Lyra (falecido), então candidato a governador, celebrava a cada dia prefeitos, deputados e lideranças que estavam com ele, divulgava fotos entre políticos de densidade eleitoral forte no interior e perdeu para Teotonio Vilela no primeiro turno.

 O ex-governador Ronaldo Lessa (hoje vice-prefeito de Maceió), tinha deixado o governo com alta popularidade e índice de aprovação, estava seguro de que seria eleito senador e perdeu para Fernando Collor, que entrou na disputa 28 dias antes do pleito.

Mais longe, em 1992, os favoritos para a Prefeitura de Maceió eram o senador Teotonio Vilela e o deputado José Bernardes, ambos com apoiadores e partidos fortes. Perderam para Ronaldo Lessa, sem nenhum vereador ou grande liderança política lhe apoiando.

O resultado de uma eleição é imprevisível, por mais previsível que possa parecer.