O presidente do Banco Central do Brasil, Campos Neto, deve ir à Câmara dos Deputados informar o que está sendo feito para a contenção da alta inflacionária no país.
Requerimento nesse sentido foi apresentado pelo deputado federal Pedro Vilela (PSDB).
Ontem, 24 de agosto, em um evento on-line promovido por uma corretora de investimentos, Campos Neto disse que o Banco Central “tem os instrumentos que acreditamos serem suficientes para a inflação convergir na meta no horizonte relevante”.
Mas não detalhou a data limite do “horizonte relevante" e nem listou quais seriam os "instrumentos suficientes" para isso. Tradicionalmente, o principal instrumento do Banco Central para combater a inflação é a taxa básica de juros (taxa Selic).
Para 2021, a meta central de inflação é 3,75%, o teto, 5,25% ao fim de 12 meses.
A alta nos preços do país, no entanto, vai ultrapassar esses percentuais segundo as projeções de mercado e do próprio Banco Central. De janeiro a julho – ou seja, faltando cinco meses para o cálculo –, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, já acumula alta de 4,76%.
De acordo com o último boletim Focus, o mercado financeiro projeta uma inflação de 3,93% para 2022.
É um cenário preocupante.
Chega em bom momento a iniciativa de Pedro Vilela.
Não dá para convivermos no escuro com a inflação a galope e nem nos “satisfazermos” com frases de efeito vindo do governo.

