O Brasil ainda sofre o luto da covid-19 com uma média diária de mais de 900 mortes, falta vacinas em grande parte do país e o desemprego assola, atingindo mais de 14 milhões de pessoas, mas o que o Congresso Nacional prioriza é o Projeto de Emenda Constitucional do Voto Impresso, porque essa é uma imposição do presidente Jair Bolsonaro. 

O mesmo presidente que debocha da ciência, menospreza a vacina e chamou a pandemia do coronavírus de “gripezinha”. 

A Comissão Especial criada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), para analisar a proposta do Voto Impresso não a aprovou e o enredo deveria acabar aí, mas Lira, pressionado pelo Planalto, vai levar a matéria para votação em plenário.

A deputada Bia Kicis, autora da proposta, lidera a mobilização dos bolsonaristas no Congresso para aprovação de sua emenda constitucional. Reverbera as acusações sem provas de Bolsonaro, de que o sistema eleitoral possibilita fraudes. 

“O povo não confia nas urnas eletrônicas sem o registro físico do voto e sem a contagem pública do voto. Alguns agora chamam de golpe, de falcatrua, mas, na verdade, o Congresso sempre foi favorável a isso”, argumenta Kicis.

Ora, pois.

Cada maluquice em sua política, e a do Voto Impresso parece consumir todos os malucos da política brasileira.

Oremos.

Só para constar sobre a logística do voto impresso: os votos serão apurados por 1 milhão e 800 mil mesários, em 500 mil sessões, transportados por agentes de segurança em carros. Fora toda a sistematização do processo, o que leva tempo e custo para ser implantada.

É o Brasil andando para trás em meio ao caos social e econômico que a pandemia não reconhecida na prática pelo governo brasileiro, causou em menos de dois anos ao país.