Não há clima para bandeira branca entre o presidente Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal (STF) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ontem, em Santa Catarina, numa reunião com empresários, onde aglomerou e não usou máscara, Jair Bolsonaro extrapolou todos os limites da boa paciência que os ministros do STF e TSE poderiam ter com ele. Voltou a atacar o ministro Luís Roberto Barroso, o chamando literalmente de “aquele filho da puta” e misturando, nos ataques, fake news, preconceito e calúnias sobre Barroso.

“Não estou atacando o STF. Não ofendi nenhum ministro, apenas falei a ficha do senhor Barroso. Defensor do terrorista Battisti, favorável ao aborto, à liberação das drogas, à redução da idade para estupro de vulneráveis. Ele quer que nossas filhas e netas de 12 anos tenham relações sexuais sem problema nenhum. ”

Sim, o presidente ataca sim as instituições, fulanizar um ou outro ministro não lhe tire o ônus de atacar quem representa as duas cortes. Terá que responder por isso.

Há quem acredite que romper com uma instituição como o STF é uma estratégia política de Bolsonaro, mas, a bem da verdade, o presidente está mais para suicida político do que para estrategista.

A fúria do presidente, até agora, não o está ajudando.

Final da tarde de ontem subprocuradores-gerais da República divulgaram uma carta pedindo a intervenção “enfática” do chefe do Ministério Público, Augusto Aras, para coibir os ataques de Bolsonaro ao STF e TSE.

Entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil OAB), Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), entre outras, também começam a se manifestar em favor do respeito ao Judiciário.

Pelo andar da carruagem ninguém consegue parar o presidente que berra a toda hora impropérios que nunca se imaginou ouvir de um chefe de estado.

Mas, por outro lado, o que se esperar de quem agride a ciência, desrespeita normas que protegem vidas e ignora quase 600 mil famílias que choram o luto da covid-19? É o Bolsonaro do Brasil, que pode ser reeleito na eleição do ano que vem. Por cima de cadáveres, de ameaças à democracia e de total desrespeito à constituição.