Colocar o ministro Onyx Lorenzoni para, publicamente, intimidar os denunciantes de um possível esquema de superfaturamento na negociação das vacinas Covaxin, da Índia, foi um tiro no pé. De acordo com matéria, o sobrepreço nas doses ultrapassava 1.000% no valor real.

Os denunciantes Luís Miranda, deputado federal (DEM-DF), e seu irmão Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde e responsável por analisar a compra, ambos, até ontem pelo menos, bolsonaristas.

Os esclarecimentos dados pelo governo para negar a denúncia se perderam diante da exalação de ódio e das ameaças de Onyx ao parlamentar e seu irmão. O tom era de intimidação, de autoritarismo, de poder, de mostrar ao Brasil quem manda e quem precisa obedecer.

“Deputado Luís Miranda, Deus está vendo. Mas, o senhor não vai só se entender com Deus, vai se entender com a gente também. O senhor vai explicar e vai pagar pela irresponsabilidade, mau-caratismo, má fé, denunciação caluniosa e produção de provas falsas. Se o senhor achava que ia conseguir luz e talvez apoio para uma tentativa de eleição, deputado, o senhor errou”, ameaçou o ministro.

Na fala de Onyx, ele juntou Polícia Federal e Controladoria Geral da União (CGU) como os órgãos que perseguirão os irmãos Miranda daqui pra frente.

Após o pronunciamento de Onyx, o deputado Luís Miranda usou suas redes sociais para questionar o presidente Bolsonaro: "Sempre te defendi e essa é a recompensa?".

O deputado e o irmão dele foram pessoalmente à casa do presidente Jair Bolsonaro para alertá-lo sobre esse o suposto sobrepreço, mas não houve retorno do governo para suspender ou mesmo analisar o contrato com técnicos idôneos.

Bolsonaro errou, primeiro ao não dar atenção ao alerta, e depois ao preferir as ameaças aos denunciantes do que o devido esclarecimento da denúncia.

Prato cheio para a CPI da Pandemia.