Quando se diz que surge de tudo numa Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), é porque é a mais pura das verdades.
A fala delicada, firme e bem treinada da médica Mayara Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, ontem, 25, aos senadores da CPI da Covid, perdeu-se no ar por conta de um áudio vazado, onde ela agride preconceituosamente a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e ainda sugere ao seu interlocutor que é preciso articular a queda política de quem administra a instituição.
"A Fiocruz é um órgão ligado ao Ministério da Saúde, trabalha contra todas as políticas que são contrárias à pauta deles de minorias. Tudo deles envolve LGBTI. Eles têm um pênis na porta da Fiocruz. Todos os tapetes das portas são a figura de Che Guevara. As salas são figurinhas do Lula Livre, da Marielle vive", diz a médica no áudio levado à CPI pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).
No mesmo áudio, Mayra Pinheiro também afirmou: “ano que vem a Fiocruz vai ter eleição e que a gente tem que fazer é acabar com a influência do Conselho que vaia todo mundo que é contra as medidas de esquerda”.
Confrontada, a secretária confirmou sua fala sem nenhum constrangimento, sequer se desculpou com a Fiocruz pela baboseira dita em algum momento de sua vida.
Evidente que o trecho sobre o “pênis na porta da Fiocruz” viralizou nas redes sociais, não poderia ser diferente. E entrou negativamente para a história da médica, conhecida como Capitã Cloroquina por defender esse medicamento no tratamento contra o coronavírus.
Não foi uma crítica política à Fiocruz, foi uma agressão repleta de preconceitos.

