Quem bancou financeiramente o passeio de motocicleta de Jair Bolsonaro e seus apoiadores no Rio de Janeiro, domingo passado, 23?
Há um pedido junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para que se investigue a diária de seguranças, custo com combustível e até o uso do helicóptero oficial do governo no ato que teve ainda a presença de um general da ativa do exército brasileiro, Eduardo Pazuello, no palanque onde Bolsonaro discursou politicamente.
O deputado federal Elvino Bohn Gass (PT/RS) quer o TCU verificando a possibilidade de Bolsonaro ressarcir os cofres públicos a despesa com o passeio, e há advogados de outras legendas estudando ações junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela campanha fora de época que o presidente teria feito nessa data.
Isso sem contar o atrito com o exército, já que Bolsonaro mandou o Ministro da Defesa silenciar sobre a irregularidade da presença de Pazuello naquele palanque. A nota que o exército divulgaria para a imprensa na segunda-feira, 24, foi suspensa por determinação pessoal do presidente da República.
A participação de Pazuello fere várias normas do Estatuto Militar, que, no artigo 45, diz: “São proibidas quaisquer manifestações coletivas, tanto sobre atos de superiores quanto as de caráter reivindicatório ou político”. No artigo 28, inciso IV, está escrito: “Cumprir e fazer cumprir as leis, os regulamentos, as instruções e as ordens das autoridades competentes” — o que, na visão de muitos, inclui o respeito às regras sanitárias.
Pazuello desfilou ao lado de Bolsonaro, no Rio de Janeiro, sem máscara.
Mas no Alto Comando do Exército, o placar favorece o general bolsonarista. Dos 16 generais de quatro estrelas, quatro querem que o ex-ministro da Saúde seja preso.
Veremos como acabará a história, mas o fato concreto é que a campanha presidencial de 2022 já começou. Para o bem e para o mal de Jair Bolsonaro.

