Sem enfeites, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, criticou ontem em Botucatu, interior paulista, as queixas contra a falta de vacinas no Brasil, e denominou essas reclamações de “cantilena”.
Segundo ele, o país passa por uma “dificuldade sanitária” que será logo resolvida. “O Brasil está indo bem na campanha de vacinação. Poderia ir melhor? Claro que sim, se tivéssemos mais doses”, destacou o ministro, acrescentando: ““É importante passar uma mensagem positiva para a sociedade brasileira, e não essa cantilena de que está faltando, faltando, faltando (IFA). ”
E por que não temos mais imunizantes, ministro? Essa pergunta o senhor não se fez porque a resposta compromete a sua pasta e o governo federal. Em apenas duas semanas, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado, que apura ações e omissões de gestores no enfrentamento à pandemia da covid no Brasil, já mostra que não tivemos vacinas em 2020 e sofremos agora com a falta delas, porque o governo brasileiro ignorou a gravidade do vírus e negou-se a ouvir a ciência.
Para Queiroga, o problema de recebimento dos insumos essenciais para a produção de imunizantes no Brasil está no tipo de contrato. “Estes contratos têm cláusulas que são um pouco porosas porque não há comprometimento de prazos, justamente porque há uma carência de vacinas e de IFA no mundo inteiro”, alegou, descartando qualquer problema diplomático do Brasil com a China:
“O presidente (Jair Bolsonaro) tem uma excelente relação não só com a China, mas com todas as nações com quem o Brasil estabelece relações internacionais. A China integra um bloco econômico importante que são os Brics. O Brasil faz parte, a Rússia faz parte, e as relações são absolutamente normais”, afirmou o ministro da Saúde.
Até o momento, foram distribuídos a unidades da Federação e municípios do país o total de 85,2 milhões de vacinas contra a covid-19. Do montante, foram aplicados 52,7 milhões de doses, sendo 35,7 milhões da primeira aplicação e 16,9 milhões da segunda.
Em tempo: a ‘cantilena’ rechaçada pelo ministro de Bolsonaro encontra respaldo nas estatísticas de óbitos: 435 mil brasileiros perderam a vida para a covid em 15 meses.
Ministro diz que queixas por falta de vacinas é “cantilena” dos brasileiros

