O telefonema do presidente Bolsonaro ao senador Jorge Kajuru (Cidadania-Goiás), sobre a CPI da Covid no Senado Federal, revela que o Palácio do Planalto tem consciência de duas coisas: que haverá uso eleitoral da investigação e que o próprio presidente e seu Ministério da Saúde têm culpa no cartório.

“O objetivo do autor (da CPI), que eu não sei quem é, é investigar omissões do governo federal no tratamento da covid. Se não mudar (o objetivo), a CPI vai simplesmente ouvir o Pazuello, ouvir gente nossa, para fazer um relatório sacana”, afirmou Bolsonaro a Kajuru.

E o presidente disse textualmente que a CPI é para investigá-lo, ir para cima dele.

Bolsonaro não quer a CPI, mas sem condições para derrubá-la a essa altura da situação, espera levar para a investigação governadores e prefeitos. E não está errado, a conta da Covid-19 no Brasil tem mesmo que ser paga pelos gestores políticos, a começar pelo presidente da República e seus ministérios da Saúde e da Economia.

E independente do uso político-eleitoral que certamente essa CPI terá, como todas as outras que já passaram pelo Congresso Nacional, a investigação levará o governo federal, com toda certeza, ao banco dos réus.

Há motivação concreta para isso.

O Brasil passou, ontem, a marca de 355 mil óbitos por covid.

Em tempo, sobre a gravação e a divulgação da conversa entre Kajuru e Bolsonaro: se gravar uma conversa sem que o interlocutor saiba, já é antiético, divulgar o teor dela é mais grave ainda.

Ficou feio para o senador Kajuru.