O Brasil ultrapassou terça-feira, 23 de março, a barreira de 3 mil mortes diárias por covid-19. Já são 298,8 mil óbitos registrados pela doença em pouco mais de um ano da pandemia em todo o país.
E há uma previsão sombria de que esse marco por dia de mortes pode chegar até a 5 mil nas próximas semanas.
As mortes estão em queda no mundo nos últimos 30 dias, enquanto o Brasil vive uma aceleração.
Dos 20 países com mais óbitos pela doença desde o início da pandemia, nenhum vive um momento tão ruim como o brasileiro, em que as mortes mais que dobraram no último mês. A maioria deles, aliás, viu as mortes caírem nesse período, como o Reino Unido, onde a queda foi superior a 80%, e nos EUA e México, a retração foi de mais de 40%.
E o que temos para conter esse avanço?
Um presidente da República negacionista, com um plano de imunização lento e um Ministério da Saúde que vive rodopiando em torno de suas próprias trapalhadas, um governo que bombardeia medidas restritivas para prevenir a contaminação do vírus, imprensa e governantes favoráveis ao distanciamento social para salvar vidas, e que, na noite de ontem, fez pronunciamento público em TV e rádio assegurando que a pandemia está sob controle, que terá vacina para todo mundo e que Nação pode se tranquilizar.
De que tranquilidade falava Jair Bolsonaro a nós, brasileiros? Exatamente quando a Saúde registrava 3.251 mortos por coronavírus em apenas 24 horas? Quando os hospitais públicos e privados alertam há semanas sobre superlotação em UTIs e leitos clínicos, falta de kits de intubação e de oxigênio para acudir os milhares de infectados que buscam internação hospitalar a cada minuto neste país?
Em Alagoas, já temos o nosso próprio cemitério de vítimas da covid. Com as 20 registradas ontem, crescemos o luto para 3.378 óbitos por covid-19 em um ano da pandemia em nosso estado.
Não haverá panelaço suficiente para protestarmos contra a evidente e criminosa falta de gestão do governo Bolsonaro na tragédia da covid no Brasil.

