No dia em que comemorou seus 66 anos de idade, o presidente Jair Bolsonaro fez o que mais gosta: aglomerou, tirou a máscara na aglomeração, abraçou, apertou mãos, criticou prefeitos e governadores pelas medidas restritivas à covid no país e fez ameaças veladas em nome de seu “povo”.
"Alguns tiranetes ou tiranos tolhem a liberdade de muitos de vocês. O nosso Exército é o verde oliva, mas são vocês também. (...). Estão esticando a corda, faço qualquer coisa pelo meu povo, essa qualquer coisa é o que está na nossa Constituição, pela democracia e o nosso direito de ir e vir. (...) Vocês me deram um voto de confiança lá atrás e só Deus me tira daqui", disse o presidente.
O presidente poderia ter aproveitado um dia importante em sua vida para se redimir com o país e com os brasileiros. Como, por exemplo, pregar a união, se comprometer com a vacinação em massa em tempo célere, recomendar aos seus seguidores o distanciamento social e o uso da máscara como medidas preventivas ao vírus que, nas últimas 24 horas, matou 1.290 pessoas no Brasil.
Em suma, pedir desculpas e se solidarizar com o luto de quase 300 mil famílias brasileiras que perderam seus entes queridos para o coronavírus. Algumas, choram além da perda, a certeza de que seus familiares e amigos foram a óbito por falta de leitos, de oxigênio e de compromisso do governo federal para com a saúde pública nesta pandemia.
E o presidente continua a pregar o negacionismo e o ódio, ignorando o luto e a dor que assolam o país que ele foi eleito para cuidar.

