Relação destravada
O presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reuniram-se nesta quarta-feira no Palácio da Alvorada, apenas oito dias depois de um encontro na casa do ministro Alexandre de Moraes. Após a conversa, o ministro José Guimarães afirmou que a relação entre os dois está “destravada”. A reaproximação é importante para o Planalto porque ocorre em meio ao esforço para avançar votações no Senado e pode ter reflexos inclusive nas negociações políticas envolvendo o STF.
Efeito paralelo
O restabelecimento do diálogo entre Lula e Alcolumbre tem um efeito paralelo importante: voltou a ganhar força nos bastidores a possível indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. A resistência do presidente do Senado era considerada um dos principais obstáculos políticos ao nome. A movimentação transforma a sucessão no STF novamente em assunto relevante na relação entre Executivo e Senado.
Dimensão estratégica
Enquanto Lula e Flávio Bolsonaro concentram as atenções na corrida presidencial, uma segunda batalha eleitoral cresce nos bastidores: o controle do Senado a partir de 2027. Com dois terços das cadeiras em disputa neste ano, governo e oposição tratam a eleição de senadores como estratégica não apenas para a aprovação de projetos, mas também para sabatinas de ministros do STF e outras autoridades. A ofensiva explica por que as candidaturas ao Senado passaram a ocupar espaço central nas articulações nacionais.
Fase operacional
A campanha de Lula começa a entrar numa fase mais operacional. O presidente fará uma série de gravações com candidatos aos governos estaduais e ao Senado que integram seu arco de alianças. Os vídeos serão produzidos em Brasília e deverão ser utilizados nas campanhas regionais. A estratégia procura aproveitar a popularidade presidencial onde ela pode ajudar aliados e, simultaneamente, fortalecer palanques estaduais para a própria candidatura de Lula.
Mudança de comportamento
Aliados estão discutindo uma mudança na comunicação de Lula para o lançamento de sua campanha à reeleição, marcado para domingo (16), em São Bernardo do Campo. A orientação defendida internamente é por discursos mais objetivos e combativos, com redução dos improvisos. A preocupação revela que, além das alianças partidárias, a equipe já começa a ajustar a própria imagem e a linguagem do candidato para a fase mais intensa da disputa presidencial.
IA na política
Um levantamento divulgado nesta quarta mostra que o país registra mais de dois vídeos virais de inteligência artificial sobre política por semana. Entre os conteúdos identificados estão deepfakes de personalidades declarando apoio a candidatos, falsas pesquisas eleitorais apresentadas por avatares e vídeos manipulados com imagens de políticos. A constatação ganha peso justamente quando o TSE discute como enfrentar o uso de IA durante a campanha de 2026.

