Jorge Vieira – Jornalista*
O governo do presidente Lula deixa a direita sem discurso e a esquerda obnubilada! Para os primeiros, pela trajetória do sindicalista e de seu partido de esquerda, Lula não concluiria o seu governo; enquanto que a outra parte acreditava que era a oportunidade de um partido popular ter um pr4sidente esquerda para fazer a revolução no país e, quiçá!, no mundo!
Para os opositores de plantão, leia-se PSDB e PFL (Democratas), partidos alinhados do liberalismo econômico estadunidense e inglês e defensores ferrenhos da política de mercado laissez-faire, apostaram na inviabilidade da política econômica do sindicalista. Erram! E mais, diante da liderança e popularidade de Lula, restou-lhes somente espernear.
Indiscutivelmente, o Brasil de hoje não é mais o mesmo de 500 anos atrás. Mas não é somente na estabilidade econômica, social e política, mas sobretudo em nível da auto-estima de sua população. Internamente, o povo está comendo, estudando e passeando; no exterior, o brasileiro é respeitado e admirado pelo presidente que teve.
O Brasil, que anteriormente era vista como correia de transmissão dos interesses das principais economias mundiais, passa a agente importante na formulação de políticas no cenário internacional. Na geopolítica latino-americana, o impacto foi maior, a sua política influenciou a vitória de vários presidentes originários dos movimentos sociais e com perfil de esquerda.
Enquanto as lideranças controladoras das principais economias mundiais debatem e se atropelam sem saber o que fazer diante do caos financeiro, econômico, político e social em que se encontram os seus de seus países, o Brasil opta pela continuidade política elegendo Dilam Rousseff presidenta, e mantém sua base econômica desenvolvimentista.
Aqui se encontra o dilema! A massa alimentada físico e mentalmente, colhe os frutos do bem estar social. E, em geral, é por onde ela se movimenta - respeitando as raríssimas exceções. Na mesma direção, obviamente por outros motivos, os movimentos sociais e os partidos de esquerda encontram-se satisfeitos com os resultados obtidos. Mas, por outro lado, encontra-se uma classe média formadora de opinião, moralista e conservadora socialmente, ainda silenciosa quanto à defesa de seus interesses.
Esse quadro demonstra a fragilidade política para a sustentação das conquistas até aqui adquiridas e na possibilidade de fazer avançar a construção de uma nação que tenha um nível pleno de garantias para a sua população. Pela dimensão do Brasil e suas riquezas naturais e intelectuais, é preciso projetar base de um desenvolvimento que respeite a diversidade cultural e a natureza, possibilitando a qualidade de vida holística.
A intelectualidade brasileira encontra-se adormecida e atordoada! Escuta-se ruídos truculentos e dogmatismo raivoso e tresloucado ou um conformismo inerte diante do encantamento estético de uma obra inacabada. São raríssimas as reflexões que identificam os elementos fundamentais em que se encontra a atual realidade, e menos ainda indicativos de direções sustentáveis e seguras.
Para não ser pego de surpresa por algum discurso moralista e aventura eleitoreira, esta parece ser a tarefa fundamental da intelectualidade, dos movimentos sociais, esquerdas e segmentos que acreditam nesse paraíso chamado Brasil. E que seu povo possa participar e contribuir com suas extraordinárias qualidades da construção de mundo melhor.
*É professor do Cesmac
