* Eliane Aquino

A decisão do promotor de Justiça, Marcos Mousinho, em pedir isenção de pena para o ex-coronel Cavalcante no homicídio do Cabo Gonçalves pode ser legal, mas está longe de ser justa.

A participação de Cavalcante na trama e execução do militar não foi por mero acaso ou circunstancial. Ele próprio era um dos que queria Gonçalves morto e em todas as tentativas de morte e emboscadas sofridas pelo Cabo, a vítima sempre apontava Manoel Cavalcante como um dos principais acusados.

Foi Gonçalves quem primeiro denunciou o Coronel PM Manoel Cavalcante por roubo de cargas e intermediação de vários crimes de mando no Estado. Cavalcante sabia que o Cabo, vivo, representava perigo para ele. O Cabo sabia que Cavalcante era o seu algoz. Cavalcante confiava na impunidade. O Cabo temia a proteção que Cavalcante tinha do poder e da política.

Quando vivo, Gonçalves vivia acuado por Cavalcante; quando foi assassinado, sequer pode ser chorado pelos amigos e parentes, porque Cavalcante invadiu a residência de sua família, amedrontou várias pessoas e bateu em uma de suas irmãs.

Cavalcante fora constatar de perto o resultado do que tinha feito.

Estava embriagado, fardado e certamente comemorava o feito do dia.

A cena de ódio descabido e de vitória pela morte de seu “inimigo” protagonizada, com extrema violência, por Cavalcante é o que mais os filhos de Gonçalves se lembram do velório do pai.



A delação premiada para o ex-militar Cavalcante no crime de Gonçalves é como assassiná-lo novamente.

Ao contrário de ser espoliada, caso Cavalcante vá a júri popular por este crime, a lei estará sendo cumprida com toda justeza que este caso exige.          

*É jornalista