Por Dom Antônio Muniz (*)

Há tempo, o planeta terra vem clamando por socorro. A razão desse clamor é que, a cada dia, o ser humano vem depredando a natureza, pondo em risco a sobrevivência da terra com seus ecossistemas e a própria vida humana, uma vez que a terra é o seu chão, de onde ele tira o seu sustento. Justamente, o ser humano, a quem o Criador confiou a missão de cuidar, proteger e torná-la, cada vez mais, favorável à propagação da vida.

O ser humano perdeu de vista essa sublime missão de ser co-criador, colaborando com o seu trabalho, na preservação dessa natureza, tão dadivosa e inteiramente favorável para lhe proporcionar as condições necessárias à sua sobrevivência. De colaboradores, na ordem da criação, homem e mulher tornaram-se os principais destruidores deste nosso “planeta azul”. Mais uma vez, dão as costas ao Criador e se voltam para si mesmos, seus interesses dos mais diversos, tornando-se administradores infiéis.

Ninguém, em sã consciência, pode, em nossos dias, ser indiferentes aos apelos que a natureza nos faz, gritando por socorro. A questão ecológica merece uma atenção especial de todos! Não podemos ignorar as constantes ameaças que pairam sobre nós. Sobretudo, para nós cristãos que esperamos novos céus e nova terra, a preocupação com o futuro da vida no planeta torna-se um imperativo ético de profundas motivações evangélicas.

Atenta às questões ecológicas, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil iniciou a Campanha da Fraternidade tendo como tema: “Fraternidade e a Vida no Planeta”, e o lema: “A criação geme as dores do parto”. Com essa Campanha, a Igreja no Brasil quer mostrar sua real preocupação com a preservação da vida em nosso planeta.

Aproveitando do sagrado tempo litúrgico da Quaresma, quando somos convidados à conversão, à mudança de pensamentos e atitudes, nada melhor que incluir em nosso projeto de mudança, nossa conversão interior para nos levar a assumir, através de gestos concretos, nossa vigilante opção pela vida, em todas as suas formas. A Campanha deste ano de 2011 é mais um modo explicito, uma excelente oportunidade de professar a nossa fé no Deus criador e mantenedor de todas as coisas, que inclui, em seu projeto, a plenitude da vida para toda a criação, obra de suas mãos a nós entregue como um gesto inefável de amor.

Preservar a vida no planeta, denunciar os crimes que atentam contra a natureza, é tarefa de todos os homens e mulheres de boa vontade. Mas, para nós, cristãos, não deixa de ser um dever missionário.

Escutemos, pois, o grito de socorro do planeta, estendamos nossas mãos num gesto samaritano próprio dos discípulos de Cristo; rezemos pelo êxito da Campanha da Fraternidade. Nesses dias de quaresma, preparando-nos para a vitória da vida em Cristo, com sua Páscoa que restaura e faz nova todas as coisas.

Com minhas preces e benção, desejo a todos uma santa Quaresma!

           

*Arcebispo Metropolitano de Maceió          

 

Publicado excepcionalmente hoje no blog Painel Opinativo. A partir do próximo domigo, será publicado no blog A Palavra do Pastor.