E a mea culpa, quem faz?
Com 55% dos votos, Jair Bolsonaro (foto) se elegeu presidente do Brasil. Capitão reformado do Exército, deputado federal de sete mandatos consecutivos pelo Rio de Janeiro, linha conservadora e bandeiras de extrema direita, levou no primeiro turno de políticos como Marina Silva, Geraldo Alckmin, Ciro Gomes e de novatos como João Amoedo e Boulos, além de Meirelles. Polarizou com o PT e foi ao segundo tempo com Haddad, numa campanha generalizada por fake news, discursos de ódio e muita violência.
Haddad, que obteve 29% dos votos no primeiro turno, acabou no segundo com 47% da votação total, mas grande parte desses votos não foi dada ao candidato petista, às suas propostas e muito menos ao seu partido. Foram votos contra Bolsonaro, o que significa que o professor Fernando Haddad não pode se insurgir como o novo comandante das oposições no país, a não ser que ele próprio faça a autocrítica que falta ao PT fazer desde, pelo menos, o impeachment de Dilma Rousseff.
E aí terá legitimidade para unir a esquerda e construir um palanque de resistência na Oposição. Caso contrário, vamos continuar a navegar em velhos e novos partidos, sem direção, a mercê de tantos outros bolsonaros na fragilizada política brasileira.
Tal qual
Em 2014, quando Aécio Neves perdeu a eleição no segundo turno para Dilma Rousseff, os petistas cobraram dos tucanos mais afoitos que aceitassem o resultado democrático das urnas sem mimimi. Pois agora, quando Haddad perde para Jair Bolsonaro, os eleitores e líderes do PT ameaçam protestos, ocupação, mobilizações públicas contra a vitória do candidato do PSL. Nada como uma eleição após a outra...
A pauta urgente para o Brasil é a pacificação e ela independe de quem tenha sido eleito. A polarização entre o PT de Haddad e o anti-PT de Bolsonaro não permitiu que o processo eleitoral tivesse sido feito no debate de ideias e de propostas. A campanha foi feita de ataques e desqualificação de candidaturas. Mesmo assim, já concluída essa etapa, é hora de os partidos e lideranças brasileiras costurarem a paz política.
Bem na fita
*Durante todo o primeiro turno eleitoral falou-se em cadastros e compra de votos. Com o resultado dos eleitos para a ALE e Câmara dos Deputados, qual o veredito?
*Publicado originalmente na edição 22 da revista Painel Alagoas



