Ele quer delatar ...
Não será surpresa para ninguém que acompanha os rumos da “Lava Jato”, o fechamento de um acordo de delação com Antonio Palocci.
Em seu depoimento ao juiz Sérgio Moro em abril, o ex-ministro deixou clara essa intenção, afirmando que poderia dar às investigações “mais um ano de trabalho”.
Sem rodeios
A quem pergunta, Palocci responde, sem rodeios, que quer o acordo e que tem consciência que, após sua delação, as investigações avançarão muito, inclusive sobre ele mesmo.
Ainda assim o ex-ministro acredita que será possível fechar um bom acordo com o Ministério Público, sonhando, inclusive, com a possibilidade de deixar a prisão em breve.
Comparado a José Dirceu
Palocci se compara a Dirceu e concorda com a análise do “ex-companheiro”, que considera sua liberdade temporária. Para ele, a volta de Dirceu à prisão é iminente.
Sobrevivência e “mágoa profunda”
Palocci já afirmou, na prisão, que o acordo de delação “é o único jeito de sobreviver quando se entra aqui”.
Pessoas próximas ao ex-ministro afirmam, entretanto, que a verdadeira motivação para o acordo de delação, seria uma mágoa profunda do ex-ministro com Lula e Paulo Okamotto. Desde que foi preso Palocci teria sido “abandonado” pela dupla.
Motivações extras
A Operação Bullish, deflagrada na semana passada pela Polícia Federal, pode ter sido mais “fator de estímulo” para que Palocci decidisse delatar. A operação investiga repasses do BNDES ao grupo JBS que ultrapassam R$ 8 bilhões. Palocci não é alvo dessa operação, mas é considerado “peça chave” na intermediação dos financiamentos, que supostamente viraram propinas para o PT.
Outro ponto que pode ter influenciado a decisão de Palocci foi a apreensão pela Polícia Federal de documentos que compõe o acordo de delação da empreiteira Odebrecht. Na documentação, há fortes indícios que Palocci seria responsável pela administração de repasses no valor de R$ 128 milhões entre 2008 e 2013.
Mudança na “equipe”
Palocci avisou o advogado José Roberto Batochio, que cuidava de sua defesa , que ele seria afastado do caso. O motivo do afastamento seria uma suposta “exigência” da força-tarefa da operação, já que Batochio é contrário ao acordo de delação premiada.
A defesa do ex-ministro ficará a cargo dos advogados Adriano Bretas e Tracy Reinaldeti.
*Com assessorias

