Defesa pretende transformar depoimento do ex-presidente em "espetáculo midiático"
Ângulo mais favorável
A defesa de Lula enviou ao juiz Sérgio Moro petição para filmar, com equipamento próprio, o depoimento do ex-presidente, no próximo dia 10. Os advogados alegam que o padrão das gravações da Lava Jato "inferioriza" a imagem dos acusados, e que pretendem produzir imagens de um “ângulo mais favorável” do seu cliente.
“Papel” de vítima...
O ex-presidente estaria sendo instruído a se fazer de vítima em relação à Lava Jato, dando ênfase a perseguição que vem sofrendo com uma série de acusações sem provas.
Na estratégia ainda estariam incluídas a desqualificação de qualquer prova mencionada durante o interrogatório , além de negativas sobre qualquer insinuação de comprometedores pedidos pessoais.
...Num palanque político
Lula quer transformar a oitiva num palanque político, desvirtuando o rumo protocolar que Sérgio Moro costuma impor nessas ocasiões. A garantia da transmissão pública do “desempenho” de Lula é considerada importantíssima para sua imagem , tanto que os termos a serem empregados em suas respostas estão sendo exaustivamente estudados por sua equipe de marqueteiros.
Mônica Moura e Dilma se comunicavam por e-mail fictício
A marqueteira Mônica Moura disse à força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) usava um e-mail fictício, criado exclusivamente para comunicação entre as duas. A notícia foi divulgada pela repórter Adréia Sadi, da Globonews, na tarde desta quinta-feira (4).
Comunicação Segura...
Na delação Mônica afirmou que, em 2015, a então presidente Dilma pediu que ela criasse um meio de comunicação seguro. Foi então que Mônica decidiu criar o e-mail com nome falso. Apenas ela e Dilma tinham a senha da conta criada e sabiam como era realizada a comunicação.
...Só nos "rascunhos"
As mensagens eram trocadas através de rascunhos. Quando Dilma queria falar com Mônica, escrevia no campo rascunho do e-mail. Mônica lia, apagava e deixava outra mensagem utilizando a mesma metodologia. As mensagens eram sempre cifradas, com metáforas. Os e-mails não eram enviados para não deixar registros no sistema.
Nessa troca de mensagens, no e-mail fictício, segundo Mônica Moura, Dilma teria avisado do avanço das investigações da Lava Jato em direção ao casal de marqueteiros. A mensagem da ex-presidente dizia que um “amigo dela estava doente, em estado terminal, e que a mulher, que cuidava dele, também estava doente”. Os amigos doentes seriam Mônica e o marido, João Santana.

