Revelações da marqueteira Mônica Moura, ao ministro Herman Benjamin do TSE, jogam por terra a versão de que Dilma sabia apenas do que acontecia nos bastidores das finanças eleitorais ; ex-presidente divulgou nota à imprensa contestando as afirmações de Mônica e seu marido João Santana
Dilma sabia
Em depoimento ao ministro Herman Benjamin, relator do processo sobre a cassação da chapa Dilma-Temer no TSE, a marqueteira Mônica Moura afirmou, nesta segunda-feira (24) , que Dilma Rousseff tinha conhecimento do caixa 2 em sua campanha. Segundo Mônica os repasses foram tratados pessoalmente com a ex-presidente.
Aval
A marqueteira afirmou também que além de ter pleno conhecimento dos “bastidores das finanças eleitorais” a ex-presidente deu o aval para que o caixa clandestino funcionasse.
Na primeira conversa com Dilma, segundo a marqueteira, ficou acertado que os detalhes sobre os pagamentos não contabilizados ficariam sob a responsabilidade de Guido Mantega.
Preocupação
Em outro momento do depoimento ao ministro do TSE, Mônica garantiu que Dilma também sabia dos pagamentos realizados no exterior, através de repasses realizados pela empreiteira Odebrecht, e numa outra conversa demonstrou preocupação com a vulnerabilidade de pagamentos realizados fora do país.
João Santana
Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, na semana passada, o marqueteiro João Santana, marido de Mônica, já havia fornecido detalhes do envolvimento da Odebrecht no financiamento ilegal de campanhas eleitorais. Segundo Santana, o ex-ministro Antonio Palocci teria indicado a empreiteira como uma espécie de “caixa complementar” da campanha.
No exterior
O marqueteiro revelou que restos a pagar do caixa 2 da campanha de Dilma em 2010, foram pagos no ano seguinte pela Odebrecht, através de repasses à offshore Shellbill, na Suiça. Foram pagos US$ 10 milhões relativos também a outras campanhas , como a de Hugo Chávez a presidência da Venezuela e adiantamentos para as campanhas municipais de Fernando Haddad em São Paulo e Patrus Ananias em Belo Horizonte.
Todos sabiam
Segundo Santana “todos [no PT] sabiam [do caixa dois]. Os tesoureiros, os coordenadores de campanha. Era dito que os financiadores não querem fazer dessa maneira, ‘não temos como fabricar dinheiro’, ‘existe uma cultura’, existe uma doutrina de senso comum que o caixa dois existe dessa maneira.”
Outro Lado
Em nota divulgada por sua assessoria de imprensa a ex-presidente Dilma Rousseff contestou a veracidade dos depoimentos de Mônica Moura e João Santana
NOTA À IMPRENSA
Sobre os depoimentos de João Santana e Mônica Moura
1. João Santana e Mônica Moura faltaram com a verdade no depoimento colhido pelo ministro relator Herman Benjamin, fazendo afirmações desprovidas de qualquer fundamento ou prova.
2. Dilma Rousseff nunca negociou diretamente quaisquer pagamentos em suas campanhas eleitorais, e sempre determinou expressamente a seus coordenadores de campanha que a legislação eleitoral fosse rigorosamente cumprida e respeitada.
3. Tudo indica que o casal, por força da sua prisão por um longo período, tenha sido induzido a delatar fatos inexistentes, com o objetivo de ganhar sua liberdade e de atenuar as penas impostas por uma eventual condenação futura.
4. As evidências demonstram que, pelos pagamentos declarados ao TSE pela campanha de Dilma Rousseff de 2014, João Santana e Mônica Moura foram os profissionais de marketing mais bem pagos na história das eleições no Brasil, recebendo nada menos que R$ 70 milhões de reais.
5. Desse modo, não havia e nunca houve qualquer razão ou motivo para que o casal recebesse nenhum centavo a mais pelos serviços prestados à campanha da reeleição, especialmente nos montantes pretendidos por Mônica Moura e muito menos por meio de pagamentos não contabilizados.
6. A presidenta eleita Dilma Rousseff repudia, mais uma vez, o vazamento seletivo de trechos dos depoimentos, renovando a necessidade de rigorosa investigação pela Justiça Eleitoral, como a sua defesa denunciara em outra oportunidade.
ASSESSORIA DE IMPRENSA
DILMA ROUSSEFF"
*Com assessorias
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