Supostos encontros secretos entre  Rodrigo Janot e José Eduardo Cardozo, antes da divulgação da lista de parlamentares investigados pela PGR, podem virar alvo de ataque do presidente do Senado

Na quinta feira(5), portanto antes da divulgação oficial da lista dos investigados, o presidente do Senado atacou o Procurador Geral e o MP. Durante discussão da proposta que altera a Constituição e determina a desincompatibilização dos cargos do Executivo   como condição para a candidatura eleitoral, Renan afirmou que “essa prática  devia valer para todas as eleições do Executivo e até mesmo do Ministério Público. Nós estamos com o procurador geral da República em processo de reeleição para a sua recondução ao Ministério Público. Quem sabe, se nós, mais adiante, não vamos ter também, que a exemplo do que estamos fazendo com as eleições do Executivo, regrar esse sistema que o Ministério Público tornou eletivo”. E arrematou sua fala criticando a postura da PGR em relação a elaboração da lista: “lamento que o MP não tenha ouvido as pessoas como é praxe para que as pessoas questionadas possam se defender, apresentar as suas razões. Mas isso tudo é da democracia. Quando há excesso, quando há pessoas citadas injustamente, a democracia depois corrige tudo isso”.

O que se comenta nos bastidores políticos de Brasília é que essa tática de Renan é fruto de encontros do presidente do Senado com Fernando Collor, que também teve o nome incluído na lista dos investigados. Segundo matéria da coluna Radar, da revista Veja, o ex-presidente da República teria instigado Renan a “bater de frente” com o Procurador Geral. Tal estratégia já foi adotada pelo próprio Collor anteriormente, junto ao ex-procurador Roberto Gurgel.

Comenta-se também ,nos corredores do Senado,  que o próximo round dessa luta entre Renan e Janot , terá como alvo supostos encontros secretos entre o Procurador Geral e o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Na visão de Renan e outros investigados, o conteúdo da lista divulgada pelo STF pode ter sido “peneirado” durante esses encontros entre Janot e Cardozo.

Se persistir nessa postura de contra-ataque o presidente do Senado pode até partir para a criação de uma CPI com o objetivo de investigar o comportamento de Janot e Cardozo, nos dias que antecederam a divulgação da lista.

É bem possível que tal proposta encontre resistência dentro do próprio  partido de Calheiros, mas consolida de vez a crise entre PMDB e PT, comprometendo a longeva aliança entre os dois partidos, tanto no Executivo quanto no Legislativo.