Houve uma época em Alagoas onde a palmatória da segurança pública atingia em cheio os pobres que cometiam qualquer tipo de crime no Estado. O então secretário Coronel Amaral costumava propagar que, com ele, “bandido bom, era bandido morto”, mas paralelo a essa premissa, o sindicato do crime organizado no Estado se fortalecia na impunidade.
Era comum a prática de crimes políticos e os crimes “pela honra” e, nesses casos, a tese do Coronel Amaral passava longe. Recentemente, com mais de oitenta anos de idade, o ex-secretário deu entrevista ao jornal Gazeta de Alagoas e voltou a defender que “bandido tem que morrer”. Só não disse que, para ele, “bandidos poderosos e ricos” não entram nessas estatísticas.
Com os números da violência em alta no Estado (segundo o Instituto Sangari, em 2000 Alagoas era o 11º Estado no ranking nacional dos crimes de homicídios; em 2006, passou a ocupar o primeiro lugar), há quem se lembre de Amaral e de sua tese de extermínio, como medida para reduzir o alto índice de criminalidade no Estado, mas isso não é alternativa correta, muito menos a solução para o fim dessa realidade.
Se em vez de matar bandidos, o Estado, na época do Coronel Amaral, se preocupasse em investir em segurança pública, quem sabe hoje Alagoas não estaria fora dos números negativos nessa área? Se em vez de proteger criminosos poderosos e ricos, o Estado, na época do Coronel Amaral, tivesse investido em justiça e cadeia para matadores, hoje, Alagoas não seria um Estado com processos arquivados de homicídios nunca esclarecidos.
Mas, de todo modo, não é atuando com violência que podemos acabar com ela. É preciso investir nas polícias e nas políticas públicas sociais; combater diretamente o tráfico de drogas e a pobreza extrema; é preciso fazer com que o Estado e sociedade, juntos, façam seu papel responsável de proteger a cidadania, longe dos palanques eleitorais e dos interesses de projeto pessoal de poder.
