O senador Renan Calheiros desembarcou em Maceió, sexta-feira passada, com discurso na ponta da língua em defesa do prefeito Cícero Almeida e de sua administração. Na inauguração do Centro da Moda de Murici, onde Almeida nem compareceu, Renan iniciou a ladainha pedindo que “deixem o prefeito trabalhar”, lembrando que a denúncia do Ministério Público contra a sua gestão “vai passar”, mais cedo, ou mais tarde.

 
Evidente que o senador Calheiros espera que passe mais cedo, do que tarde, já que, segundo se especula nos bastidores da política alagoana, foi o próprio Almeida quem se chegou a ele pedindo “socorro” e prometendo fechar aliança eleitoral em Maceió, no próximo ano, caso o tenha como seu “advogado político”; animado com essa possibilidade, o senador tomou gosto pela ideia de lançar seu filho Renanzinho à prefeitura da capital, pelas mãos populares de Almeida.
 
Hoje pela manhã, Calheiros ampliou seu discurso fortalecendo politicamente o prefeito Cícero Almeida e até dando a ele o mérito total pela vitória do governador Teotonio Vilela à reeleição, ano passado; levantou o ego de Almeida do jeito que a vaidade do prefeito de Maceió gosta e ganhou ponto na frente do governador Teotonio para ter a sua popularidade no palanque do PMDB, seu partido,  em 2012.
 
É certo que o senador fez questão de “esclarecer”, a todo momento, que esse seu discurso nada tem a ver com a eleição de Maceió em 2012; muito menos com a eleição de 2014 para o governo do Estado, mas é notória a sabedoria política de Calheiros na arrumação do jogo eleitoral no Estado. Ensaiou até para agradar Vilela, mas a crise na segurança pública o faz se manter, ainda, mais distante do que gostaria.
 
De qualquer modo, a bola da vez é a eleição de Maceió, maior cabo eleitoral de 2014, e Renan Calheiros sabe muito bem para onde jogar essa bola até o jogo, de fato, ser iniciado.