O semestre termina com muita confusão no ar, tanto no plano internacional – conflitos armados, guerra tarifária, protecionismo comercial, dentre outros – quanto no plano nacional – aumento de impostos, inflação fora da meta, disputa entre os poderes, perigo de apagão fiscal – isso para ficarmos apenas no que a mídia tem veiculado recentemente.
Para aqueles que, financeiramente equilibrados e com alguma capacidade de poupança, vêm aplicando suas sobras nas opções de investimento disponíveis no mercado, o meio do ano é um bom momento para reavaliar como anda a economia do bolso, a fim de verificar se as metas traçadas no início do ano conseguirão ser atingidas. Pelo lado das despesas, o aumento dos preços de produtos e serviços também não tem ajudado, provavelmente diminuindo a quantidade do que se guarda no mês a mês. Como agir?
Bem, meu querido leitor, minha querida leitora, se você se encontra nesta situação, calma e sangue frio são ingredientes essenciais para não se deixar contaminar pela negatividade espalhada no ar. Sugiro atacar a questão em duas frentes.
(1) Pelo lado das despesas, fidelidade a suas metas: Para quem é organizado e faz um orçamento no início de cada ano visando gerar uma sobra – a partir das diferenças entre o que ganha e o que gasta – é muito comum, diante do aumento das despesas, rever ou mesmo descartar os objetivos previamente traçados, não é mesmo? Permitam-me discordar, mas sou da opinião que você não as revise, mas sim se esforce para cumpri-las. Bom senso e flexibilidade precisarão entrar no seu planejamento. Por exemplo, se a conta do supermercado subiu, compense gastando menos em refeições fora ou deixando o carro em casa uma ou duas vezes na semana, para assim economizar o estacionamento.
(2) Pelo lado das receitas, deixe a emoção de lado e use a razão: Assumindo que a economia mais aquecida (é uma boa notícia!) não tenha melhorado a sua renda pelo trabalho (em aumento salarial, maior participação nos resultados, ou comissões mais altas), vale avaliar com calma o resultado de seus investimentos... Veja: nos seis meses do ano, a inflação medida pelo IPCA ficou em 2,93%. Os afobados, que apostaram no aumento do dólar, deram com os burros n´água, pois no mesmo período, a cotação recuou em 11,57%... eita, pitanga! Em compensação, todas as demais classes de investimento, na média superaram a inflação, tomando-se por base as variações dos seus correspondentes índices. Por exemplo o CDI aumentou 6,35% e o IMA-S, que reflete a variação das aplicações pós-fixadas, variou 6,49%. Já o IMA-B e o IRF-M, que refletem as variações das aplicações indexadas à inflação e as prefixadas, subiram respectivamente 8,18% e 10,25%. Mesmo os investimentos de mais risco, registraram valorização: fundos imobiliários (medidos pelo IFIX) subiram 11,12%, fundos multimercados (medidos pelo IHFA) subiram 7,79% e ações e fundos de ações (medidos pelo Ibovespa) subiram 13,79%.
Neste ponto, duas questões devem ficar claras: (1) as variações expressas nos índices citados não necessariamente irão corresponder aos resultados obtidos em suas aplicações específicas, já que refletem médias (algumas aplicações terão rendido acima e outras abaixo da média); (2) os dados apresentados não indicam o que irá ocorrer no futuro – é a velha máxima de que “rentabilidade passada não garante rentabilidade futura”. Mas, considerando a atual Selic (15%) entendo que haja muitas alternativas a aproveitar, desde que o espírito sereno prevaleça sobre o afobado!
Um grande abraço e até o próximo semestre!
