A Selic aumentou, e agora?
Olá, meu querido leitor, minha querida leitora. A notícia que chamou a atenção na semana que passou foi o aumento da taxa Selic para 14,25% ao ano, em comunicado feito pelo Copom (Comite de Política Monetária) na quarta-feira dia 19. O aumento já era esperado, considerando-se que uma das tarefas do Banco Central é preservar o poder de compra da moeda, o que, trocado em miúdos, significa manter a inflação sob controle. Como isso afeta nosso dia a dia é o tema do artigo de hoje.
Sendo a Selic considerada a taxa básica de juros na economia, um patamar mais elevado é transmitido aos juros cobrados em empréstimos e financiamentos. Posto de outra forma, tomar dinheiro emprestado nas diferentes linhas de crédito – cheque especial, cartão, consignado, financiamento de automóveis ou imóveis irá encarecer a dívida, fazendo com que as prestações a pagar dos futuros financiamentos fiquem mais salgadas ou os prazos dos empréstimos sejam ampliados. O governo federal tenta alguns paliativos, tais como utilização do FGTS como garantia para consignados, por exemplo, mas a medida não atinge aos que trabalham sem carteira assinada. Eu, que pessoalmente já não era muito fã de dívidas, agora então é que não entro nesta furada.
Pelo lado do investimento, o recente aumento torna ainda mais atrativas as aplicações em renda fixa, mas jogam um banho de água fria nas aplicações em renda variável, bolsa e multimercados. Em um rápido exercício, caso a taxa de 14,25% fique estável até o final do ano (o que para os nove meses restantes, equivale a 10,51% no período), o índice da bolsa de São Paulo, o Ibovespa, precisaria atingir 146 mil pontos (a partir do fechamento de 21/03), o que não fica distante das projeções feitas no início do ano para este indicador, a 145 mil pontos. Mas, não custa lembrar, que bolsa oscila, e muito... logo, por que encarar este vai-e-vem para ter praticamente o mesmo resultado que uma aplicação de baixo risco, não é mesmo?
O mesmo ocorre com os fundos multimercados, cujo desempenho médio para os últimos 12 meses (medidos pelo IFMM - Índice de Fundos Multimercados, de fevereiro/2024 a fevereiro/2025) foi de 7,33%, contra 11,17% do CDI no mesmo período. Ou seja, risco maior (do que a renda fixa pós-fixada) e resultado menor... Pode isso, Arnaldo?
Mas é preciso ter muita cautela com as simplificações, pois o mercado e a economia são dinâmicos e, nada garante que as projeções feitas neste momento para o curto prazo não possam mudar para prazos maiores. Por exemplo, fala-se que nas próximas reuniões do Copom, a Selic continuará a subir, neste caso favorecendo ainda mais a renda fixa, na modalidade pós-fixada (títulos indexados ao CDI, fundos DI dentre outros). Em qual momento ocorrerá uma reversão desta tendência, parece-me a pergunta de um milhão de dólares!
Com uma projeção de Selic em queda (que no meu entender poderá ocorrer se a inflação der sinais de arrefecimento), tudo o que foi descrito nos parágrafos anteriores se reverte: financiamentos e empréstimos ficam mais baratos, bolsa e multimercados tornam-se mais atrativos. Ainda que a renda fixa continue a exercer seu papel de suavizar riscos nas carteiras de investimento, a estratégia neste caso também deve mudar, favorecendo as aplicações pré-fixadas pois no momento da aplicação o investidor garantirá sua rentabilidade independente de novas quedas nas taxas de juros.
A esta altura, você, querido leitor, querida leitora, deve estar se perguntando o que fazer diante de tanta incerteza? Não tendo bola de cristal, minha melhor recomendação é que você, respeitando seu perfil de risco (de acordo com os questionários que bancos e corretoras oferecem) diversifique. Tal estratégia certamente não colocará a sua carteira no topo dos resultados, mas evitará colocá-la no fundo do poço, que tal?
Um grande abraço e até a próxima semana!

