Além do que já abordamos em artigos passados, como a questão dos riscos, custos e ganhos além da inflação associados aos investimentos, outra dimensão que você, meu querido leitor, minha querida leitora, deverá considerar é a liquidez de sua aplicação: quanto mais líquido for o ativo, mais rápido você irá convertê-lo em dinheiro e com isso realizar seus demais objetivos, tais como pagar prestações, trocar de carro ou fazer a tão sonhada viagem, por exemplo.
Bem, e afinal, apostar na liquidez é bom ou ruim? Taí. Não há uma resposta única, pois tudo irá depender dos seus objetivos de investimento. Por exemplo, se o que você pretende ao guardar dinheiro é ter uma reserva para emergências, não julgo adequado comprar um imóvel pois uma transação imobiliária requer tempo e, em uma emergência financeira, esperar é a última coisa que você quer, não é mesmo? Deixar estes recursos na conta corrente ou na Poupança é uma alternativa razoável para as despesas imediatas, ainda que no caso da Poupança, saques antes da data de aniversário eliminem os ganhos do mês. Mas atenção: mesmo em investimentos líquidos, como é o caso das aplicações financeiras, você precisará verificar as condições de resgate, que nem sempre são imediatas. Vejamos algumas situações!
Títulos de renda fixa: Investimentos em CDBs, LCIs ou LCAs (para ficarmos nos mais usuais), salvo raras exceções, prendem os recursos até a data do vencimento. Eventualmente, algumas corretoras ou mesmo bancos, aceitam resgates antecipados, mas certamente cobrando um deságio que possivelmente reduzirá substancialmente a rentabilidade inicialmente oferecida. No investimento em títulos do Tesouro Direto, mesmo aqueles com prazos mais longos, é possível o resgate antecipado (o Tesouro garante a recompra) mas, como abordado em artigos anteriores, pré-fixados ou indexados ao IPCA serão recomprados pelos preços de mercado vigentes à época, eventualmente gerando perdas.
Ações, Fundos Imobiliários, Fundos ETF: São instrumentos negociados na bolsa de valores e para resgatar os valores investidos, será necessária uma operação de venda em bolsa, o que dependerá da existência de compradores interessados. Além da questão do risco de mercado (flutuação nas cotações), há variações expressivas quanto à liquidez destes instrumentos. Uma boa dica é pesquisar quantas transações (e os correspondentes volumes) são negociados diariamente para evitar sustos futuros.
Fundos em Geral: Também aqui a pesquisa é essencial. Um fundo D0 garante os recursos em conta no mesmo dia da solicitação do resgate; já um fundo D30, demandará 30 dias entre a solicitação de resgate e o crédito dos recursos em conta, o que no caso dos fundos mais arriscados (Multimercados ou Renda Variável) embute o risco adicional de flutuação no valor das cotas entre a solicitação do resgate e o crédito dos recursos. Aqui todo cuidado é pouco!!
A esta altura, você deve estar achando que o melhor é privilegiar a liquidez, com ou sem risco, como forma de ter o dinheiro sempre à mão. Cuidado, pois tudo depende do jeito com que você encara um belo patrimônio acumulado. Às vezes, ter uma chave na porta de saída é um estímulo adicional para não se direcionar o esforço de poupança em consumo evitável. Acho pouco provável alguém trocar um imóvel maior por um menor para, com a diferença de preços, comprar um carro importado, por exemplo. Mas tenho cá minhas dúvidas se, diante de uma tentação destas, o sujeito não baixaria parte de sua aplicação financeira para satisfazer o desejo. Não estava planejado? Vai fazer diferença no longo prazo? Então por favor, tranque a porta!
Um grande abraço e até a próxima semana!

