Com a proximidade das eleições, me veio a lembrança de alguns debates passados em que uma das mais mordazes acusações era a de que determinado candidato mantinha contas no exterior. Naquela época, até onde ia a minha percepção (posso estar errado, já de antemão faço o disclaimer!), isto não era algo legal sob a legislação brasileira.

Bem, de lá para cá, ainda que nem todos os investimentos de brasileiros no exterior estejam legalizados (de novo posso estar enganado!), muita coisa mudou, pois é permitido brasileiros manterem ativos (contas, aplicações, títulos de renda fixa, ações, quotas de fundos de investimento e imóveis, dentre outros) fora do Brasil, sem ferir nossa legislação.

Provocado por uma cliente que assessoro e limitado às aplicações financeiras fui pesquisar... E a boa notícia é que o processo de abertura de uma conta de investimentos no exterior é mais simples do que à primeira vista parece, pois já há instituições brasileiras que oferecem o serviço a seus clientes sem a cobrança de custos adicionais, que tal?

Claro que participar de mercados mais consolidados que o nosso traz vantagens, dentre as quais eu citaria: ambiente de negócios mais dinâmico e robusto (com mais empresas globais para investir);  menor volatilidade (por estarem menos sujeitos a crises políticas ou fiscais, tais mercados oscilam menos), e sobretudo a diversificação geográfica, o que por vezes atenua ou até mesmo elimina perdas em nosso mercado (por exemplo, se a bolsa aqui está caindo, a norte-americana pode estar subindo).

Mas há que se tomar cuidados e para você, meu querido leitor, minha querida leitora, que está pensando em se aventurar nesta alternativa, chamo a atenção para alguns pontos:

(1) Custos: Não são idênticos aos nossos, mesmo quando intermediados por instituições brasileiras. Pesquise nos sites destas instituições para verificar quanto é cobrado de corretagem para adquirir e/ou resgatar títulos, ações ou quotas de fundos... Sem esquecer que os valores e/ou percentuais cobrados estão em moeda forte, dólar ou euro!

(2) Rentabilidades: Principalmente nos investimentos em renda fixa, esqueça as taxas oferecidas no Brasil... títulos do Tesouro norte-americano, por exemplo, costumam pagar em torno de 5% ao ano, bem menos que os quase 12% ao ano de nossos prefixados.

(3) Renda Variável: Se já é difícil selecionar boas ações no mercado brasileiro – onde há aproximadamente 400 ações listadas em bolsa –  imagine encontrar as boas ofertas no mercado norte-americano, por exemplo, com mais de 6.000 ações em bolsa? Opte por fundos de ações ou  ETFs para minimizar o risco das escolhas erradas.

(4) Tributos: Dividendos e juros das aplicações de renda fixa são tributados na fonte em 30%, ainda que você possa compensar o imposto pago no exterior com o imposto a pagar no Brasil. Ganhos de capital, acima do limite de isenção também são tributados, e você deve declarar todas as suas operações à Receita Federal. Ah sim, e já ia me esquecendo: ao enviar recursos para a sua conta internacional, haverá a cobrança de IOF sobre o valor da transação.

(5) Risco Cambial: Fique atento às flutuações nas cotações do dólar ou do euro (dependendo do mercado onde você irá operar) já que elas impactam diretamente a rentabilidade do seu investimento. Exemplificando, suponha que você tenha investido USD 1.000 em título no mercado norte-americano. Por ocasião da aplicação, a cotação do dólar era de R$ 5,50, o que equivale a dizer que você investiu R$ 5.500. Se após um ano, o título tiver rendido 5%, mas a cotação do dólar for de R$ 5,00, seu investimento valerá apenas R$ 5.250 (=USD 1.050 x R$ 5,00/USD), gerando um pequeno prejuízo, caso você resolva trazer os recursos de volta para o Brasil.

Um grande abraço e até a próxima!