Fechando a série sobre planos de previdência – sim, caro leitor, cara leitora, sei que você já está quase especialista na área! – dedico este artigo final a alguns aspectos a considerar para uma escolha mais consistente... Vamos lá?

Coberturas adicionais: Ainda que o seu maior objetivo seja fazer a própria previdência, é natural que você pense também em combiná-la com outras coberturas, morte e invalidez as mais comuns. Apesar de vendidas no mesmo pacote, não há a obrigação de adquiri-las e, portanto, vale pesquisar preços na concorrência antes de bater o martelo para contratar estes seguros  adicionais. Não confunda também as contribuições pagas para acumular recursos para a futura aposentadoria com os prêmios pagos pelas coberturas adicionais: enquanto as primeiras são resgatáveis – caso você decida sair do plano – as demais não são, a exemplo do que ocorre quando você adquire um seguro contra roubo do seu automóvel: na ausência do sinistro (o roubo do carro) você não terá de volta o valor que pagou para sua proteção.

Taxa de Carregamento: Como os planos de previdência são vendidos pelas seguradoras, elas irão lhe cobrar esta taxa para ressarcir seus custos. Na maioria dos casos a cobrança é feita na forma de um percentual sobre cada valor que você contribui para o plano. Por exemplo, se no plano que você contratou ela for de 3% isso significa que para cada R$ 1.000 de contribuição, apenas R$ 970 irão para o fundo que fará seus recursos crescerem. A existência desta taxa cria situações no mínimo inusitadas: nas condições que citei, caso o fundo acoplado ao plano remunerasse seu dinheiro a 9% anuais, você constataria que após seis meses, o valor lá acumulado seria inferior ao total depositado (R$ 5.968,59 contra R$ 6.000,00). Logo, pesquise, negocie, sempre!

Taxa de Administração: O fundo que irá receber o seu dinheiro (repassado pela seguradora) também incorrerá em custos para gerenciá-lo, razão da cobrança desta outra taxa. Não é diferente dos fundos de investimento existentes no mercado, que também cobram essa taxa, mas atenção: quanto maior a cobrança, menor a rentabilidade que sobrará para você.

Classe de Risco: Os gestores do fundo que receberá suas contribuições decidem quais ativos negociar, em qual quantidade e qual o melhor momento. Mas, não deve ser esquecido, que quanto maior a rentabilidade projetada, maior o risco incorrido. As denominações variam entre diferentes instituições, mas em geral usam perfis, de acordo com a sua menor ou maior aceitação ao risco: conservador (ou soberano) onde os recursos são aplicados integralmente em títulos públicos; moderado (ou renda fixa) onde os recursos, além de aplicados em títulos públicos também o são em títulos privados, como CDB e debêntures, e agressivo (ou composto) onde além dos títulos públicos e privados, até 49% dos recursos podem ser aplicados em  renda variável (ações, commodities, ouro e outros contratos negociados na bolsa de mercadorias e futuros). Neste quesito, o importante é: (1) não desrespeitar o seu perfil de aceitação de risco; (2) não comparar rentabilidades de planos com perfis diferentes; (3) aproveitar a portabilidade dos planos de previdência para mudar de perfil sem a necessidade de acertar as contas com o imposto de renda... Explico melhor: se ao invés de um plano, você possuísse um fundo de renda fixa e quisesse mudar para um fundo de ações, você precisaria resgatar os recursos, acertar o imposto e em seguida aplica-los no fundo desejado... nos planos de previdência o imposto nesta mudança não é cobrado.

Rentabilidades projetadas: Considerando que um plano de previdência é um projeto de longo prazo, é impossível determinar com precisão quanto seu dinheiro irá render durante todo o período, mesmo que aplicado nas alternativas mais conservadoras. Fundos em geral – não apenas os previdenciários – não podem garantir rentabilidade futura, sob o risco de, ocorrendo uma intempérie econômica, se verem às voltas com compromissos a pagar para os quais não terão recursos. Por esta razão, você poderá evitar sustos se, ao contratar um plano, avaliar com cuidado as taxas de rentabilidade que o corretor está utilizando para fazer suas simulações. Desconfie de taxas excessivamente otimistas pois elas lhes trarão a falsa ideia de contribuições menores. Lembre-se: o sorriso de hoje por conta de uma prestação menor, pode se transformar no pesadelo de amanhã por conta de uma renda que não cobrirá suas necessidades.

Índice de Correção: Por envolver prazos longos, é natural que nas cláusulas envolvendo o plano que você irá contratar esteja prevista a correção dos benefícios e das contribuições por algum índice que reflita a inflação acumulada no período. Dois cuidados você deverá ter: (1) projetar se, por conta da correção futura, suas contribuições não ficarão excessivamente caras em relação ao seu orçamento, o que não é incomum quando se contrata um plano que já parta de valores muito elevados de contribuição. O risco nestes casos é acabar se endividando para conseguir contribuir para o plano; (2) verificar se, na hora da simulação dos valores, proposital ou inadvertidamente o corretor utilizou taxas nominais (que incluem a inflação) ao invés de taxas reais (rentabilidade acima da inflação), o que lhe causará os efeitos já mencionados no item anterior.

Portabilidade: Por último, não se esqueça que os planos de previdência admitem portabilidade, quer interna (entre planos da mesma instituição), quer externa (entre planos de instituições diferentes). É uma ótima alternativa caso você esteja insatisfeito com a rentabilidade, as taxas cobradas ou outras questões, não é mesmo?

Um grande abraço e até a próxima semana!