Com o início do ano, além dos planos e promessas, chegam também algumas contas adicionais que, apesar de refletirem despesas para todo o ano, são cobradas logo no seu início. Refiro-me principalmente ao carnê do IPTU, ao IPVA e ao material, matrícula e anuidade escolares.

Sendo um imposto municipal, datas de vencimento, opções de parcelamento e descontos dados pelo pagamento à vista variam de prefeitura para prefeitura; em alguns casos os carnês já chegaram, em outros não. De qualquer forma, minha primeira recomendação para você, meu caro leitor, minha cara leitora, é que consulte o site de sua prefeitura, pois quase sempre há a opção de baixar os boletos para pagamento, além de conseguir a informação oficial para a liquidação do imposto. Que fique claro também, que a maior vantagem seria não termos que pagar mais este imposto, mas infelizmente ele é obrigatório e não opte por simplesmente esquecê-lo: é encrenca certa!

No caso específico de Maceió, você poderá quitá-lo em 10 parcelas mensais, mas, optando pela cota única (à vista, portanto!), receberá um desconto de 15% sobre a soma das 10 parcelas. Fica então a pergunta: vale a pena aceitar o desconto oferecido pela Prefeitura?

Raciocine comigo: a taxa cobrada pela Prefeitura para financiar o imposto é de 3,81%ao mês. Percebo duas situações distintas:

(1) Você tem o dinheiro para a cota única: você levará vantagens no financiamento do imposto se conseguir aplicá-lo a taxas superiores a esta (por exemplo, se aplicasse a 5% ao mês, você teria um lucrinho, tomando emprestado da Prefeitura a 3,81% e aplicando a 5%). Infelizmente, na atual conjuntura do mercado, não há aplicações financeiras que ofereçam tal rentabilidade. Também não julgo adequado você se aventurar em bolsa, para tentar obter taxas maiores. Lembre-se, para pagamentos certos, não conte com ganhos incertos. Conclusão: se este é o seu caso, pague o IPTU à vista, atentando para a data de vencimento, que no caso de Maceió é 31 de janeiro.

(2) Você não tem o dinheiro para a cota única: você levará vantagens ao solicitar um empréstimo para quitar o imposto à vista, se conseguir obter uma taxa menor que os 3,81% cobrados pela Prefeitura. Fora o empréstimo com familiares ou amigos (com grande risco de perder a amizade ou brigar em família!), em uma rápida pesquisa no site do Banco Central vi que há opções para crédito pessoal não-consignado a taxas mais baratas, quer em financeiras, quer em grandes bancos. Vejo dois problemas neste caso: o primeiro é conseguir a aprovação do empréstimo em prazo hábil para liquidar o imposto em cota única; o segundo é a cobrança de outras taxas e IOF não incluídos nas taxas oferecidas pelas instituições, o que na prática acaba por aumentar o custo do empréstimo. Tudo isso e mais a grande possibilidade de você acabar se enrolando com a dívida bancária, minha sugestão é que parcele o IPTU, pagando nas datas estipuladas no carnê (evite a multa pelo atraso, é puro desperdício)!

Nesta altura, você deve estar se perguntando: “E qual a vantagem financeira comentada no título do artigo?” Bem, esta engenharia financeira é apenas para os que têm o dinheiro para a cota única. Entenda como fazê-la através da estória a seguir.

O IPTU de João e José (que moram em Maceió!!) é de R$1.000, em 10 parcelas de R$100 ou em cota única no valor de R$850. Vencem sempre no final do mês e, no banco onde têm conta, um fundo de renda fixa remunera a 0,8% ao mês. João decidiu pagar o IPTU a prazo e assim aplicou em 31/01 os R$ 850, correspondentes ao valor da cota única do IPTU. Ele também irá pagar as cotas de R$100 a cada final de mês, começando em 31/01. Em 30/11, sua aplicação financeira exibirá um saldo de R$920,50.

José, por outro lado, pegou os R$850 que tinha guardado e pagou o IPTU em cota única; ao mesmo tempo, em 31/01 depositou no fundo de renda fixa os R$100 referentes à primeira cota, em 28/02 mais R$100 referentes à segunda, e assim sucessivamente, até 31/10, vencimento da última cota. Em 30/11 sua aplicação financeira exibirá um saldo de R$1.045,07, uma diferença a seu favor de R$ 124,57, quando comparado ao saldo de João... nada mal, não? E isso para um IPTU de R$ 1.000, imagine para valores maiores!! E aí, após esta pequena estória, quem você preferirá imitar, João ou José?

Um grande abraço e até a próxima semana!

Observação: Todas as simulações feitas neste artigo basearam-se nos dados para a Prefeitura de Maceió, mas você poderá simular os resultados para outras prefeituras por meio da Calculadora do Cidadão no site do Banco Central (https://www.bcb.gov.br/meubc/calculadoradocidadao). Veja o passo a passo: (1) Para calcular a taxa de juros de sua prefeitura use a opção “Financiamento com prestações fixas”: como geralmente a primeira cota e a cota única vencem na mesma data, o “Número de meses” deverá ser a quantidade de parcelas diminuída de um (nesta simulação 9), o “Valor da prestação” será o valor da parcela do IPTU (nesta simulação usei R$ 100) e o “Valor financiado”, o valor à vista do imposto subtraído da primeira parcela (nesta simulação usei R$ 750). Deixando o campo “Taxa de juros mensal” em branco, pressione “Calcular” para obter a taxa; (2) Para calcular o valor acumulado caso opte por aplicar o valor do imposto à vista (o que foi feito pelo nosso amigo João), use a opção “Valor futuro de capital”, e preencha “Número de meses”, “Taxa de juros mensal” e “Capital atual” (nesta simulação usei 10, 0,8% e R$ 850, respectivamente); deixe “Valor obtido ao final” em branco e pressione “Calcular” para chegar à resposta; (3) Para calcular o valor acumulado caso opte por pagar o imposto à vista e aplicar as parcelas (o que foi feito pelo nosso amigo José), use a opção “Aplicação com depósitos regulares”, e preencha “Número de meses”, “Taxa de juros mensal” e “Valor do depósito regular” (nesta simulação usei 10, 0,8% e R$ 100, respectivamente); deixe “Valor obtido ao final” em branco e pressione “Calcular” para chegar à resposta.