A festa terminou, os presentes foram entregues – muitos já até trocados – e a conta chegou... Como não poderia deixar de ser, a euforia consumista veio cobrar seu preço e o que poderia ser um início de ano tranqüilo, transformou-se em uma confusão de boletos, faturas em atraso, cheques especiais estourados e um baita stress.

Duas notícias que li na semana me preocuparam... A primeira é que de acordo com a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e com o SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) , a inadimplência atinge 66,57 milhões de consumidores, possivelmente influenciada pelos juros ainda altos, preços salgados, efeitos da pandemia ainda presentes e, ingrediente que nunca falta: o velho e conhecido o descontrole nas contas (Acesse os dados da pesquisa no primeiro link ao final do artigo).

A segunda é de que a captação da poupança em 2023 (nos dez primeiros meses do ano) foi negativa em quase R$ 100 bilhões , o que significa que saíram mais recursos do que entraram na caderneta, este instrumento tão popular de investimentos (Acesse a reportagem no segundo link ao final do artigo). Bem, como ouvi de muitos amigos que, após terem detonado o cartão nas festas de fim de ano, iriam se preocupar com a fatura somente agora em janeiro, não consegui desvincular os dois acontecimentos: será que essa galera tem saldo para liquidar suas faturas? Ou entrará nos rotativos do cartão e nos limites dos cheques especiais para temporariamente resolver seus descontroles? E você, meu caro leitor, minha cara leitora, também se encontra em tal situação? (Espero que não!)

Entendo que o início de ano endividado seja pior do que o meio de ano, por razões várias: (1) há as férias escolares e com elas uma maior pressão por gastos em viagens, lazer e muitos outros; (2) férias escolares somente para as aulas, pois as matrículas, o material escolar e até mesmo as primeiras mensalidades não tiram férias... e isso para colégios, cursos de idiomas e demais atividades extra-classe; (3) chegam os carnês do IPTU, e mesmo considerando que é possível pagá-los em prestações, perde-se a excelente oportunidade dos descontos pelo pagamento à vista, pagando-se – pelo menos no Rio – mais do que 1,5% ao mês por conta deste novo empréstimo; (4) chegam os prazos do IPVA e aqui também, parcelar o imposto também não me parece boa idéia, com taxas bem superiores à do IPTU; (5) não há a possibilidade – para os que saem de férias agora – de receber metade do décimo-terceiro (de 2024!), um reforço extra no caixa disponível para quem adia as férias para os meses seguintes. Nada muito promissor para quem não foi previdente.

Assim, para o longo prazo, sugiro que você redobre a sua atenção e procure evitar que isso se repita no próximo ano: após ter acertado suas dívidas tenha como meta constituir uma reserva exclusivamente destinada ao fim de 2024... o que, reconheço, demandará muita persistência!

E para o curto prazo, o tradicional receituário para casos de febre financeira aguda: (1) calcule as taxas mensais de cada dívida; (2) dê prioridade para liquidar aquelas que evoluem mais rápido (as que cobram as maiores taxas); (3) use os saldos de suas aplicações (se você as tiver) para reduzir o total devedor; (4) negocie na rede bancária opções de empréstimo com taxas mais civilizadas do que as que hoje você paga. (5) E por último, CALMA!

Um grande abraço e até a próxima semana!