Em 1912, misturando política com religião, gerando incontrolável intolerância com os cultos de matriz africana, absurdamente, o então governador Euclides Malta, muito amigo de intransigentes e conservadores líderes religiosos, num tresloucado, insano, irracional e inconsequente ato de extrema violência, promoveu a invasão de todos, eu ‘disse’ todos, os centros religiosos, que foram completamente destruídos, e seus fiéis, duramente perseguidos.
Muita gente afirma que o atraso econômico de Alagoas, estes anos todos, é consequência desta “Quebra”. Faz sentido, pra mim. Afinal, violentaram poderosas forças da Natureza.
Muitos governos depois, em 2012, quando o massacre completou 100 longos anos, em nome do Governo, Teotônio Vilela Filho assinou e publicou pedido oficial de perdão aos religiosos e suas comunidades de terreiros, pelas atrocidades cometidas.
E desde 2012, cortejo com diversos Pais e Mães de Santo, e seus ‘Filhos de Santo’, devidamente paramentados, saem orgulhosos por Maceió, marcando a data, e reforçando fé, paz e resistência.
Neste domingo, na orla fechada da Pajuçara, muita gente, numa verdadeira corrente de energia positiva e operante, compartilhando amor, tolerância, respeito e fé, participou de + 1 cortejo.
Parabéns,Prefeitura de Maceió, através de sua Fundação de Ação Cultural, pelo comprometimento com a causa, que, além de religiosa, é cultural.
Incrivelmente, em pleno 2020, nova onda de autoritarismo e intolerância, consequência de nova explosiva mistura poltica/religiosa, vem assombrando e ameaçando os fiéis de diversas religiões, principalmente o Candomblé, a Umbanda. Confesso que temo nova “Quebra de Xangô”, mas seremos resistência, perseverança, e jamais voltaremos a “rezar baixo”. Pelo contrário, orações atravessarão oceano, ecoando na África.
Porque além do Amém, Axé, que começam com A, de Amor, principalmente ao próximo. E aos diferentes!!!






































































































