Quando nasci, em 1961, meus pais moravam na Pajuçara, quando a areia vinha praticamente até o muro de casa. E minha avó paterna, Afra, morava na rua Pedro Monteiro, numa casa com lago no quintal, transformado em jardim, e lembro que eu adorava passar o dia lá. Adorava ouvir o apito de trem, ir comprar revistas “de quadrinhos” na banca Montepio dos Artistas (que existe até hj).

Mesmo morando de frente pra praia, gostava muito quando estava na casa de vovó e algum adulto me levava pra mergulhar na “avenida”, na frente da rua “da estação”. A enorme faixa de areia era convite pra muitas corridas e brincadeiras. Adorava também quando vovó Afra me levava ao palacete onde fica o Museu Theo Brandão, brincar na praça Sinimbu também era o máximo. Era maravilhoso frequentar o centro e a praia da Avenida da Paz.

Nos anos 70, quem morava por ali, se mudou pra orla norte da cidade, e a região e a orla central, caíram no esquecimento e abandono. Principalmente pela incrível e absurda poluição do riacho ‘Salgadinho’, mas principalmente, pela construção de indústria química na praia do Sobral, numa área de grande número de moradores, crescente mercado e comércio, que é, com o passar dos anos, região pouco valorizada, negando sua importância na cidade.

Todos os festejos, movimentam a areia nobre, e nenhum clima de alguma celebração, na “Avenida da Paz”.

Até que a arquiteta, agitadora/produtora cultural e social, Mirna Porto Maia, idealizou, elaborou o projeto “Natal na Avenida da Paz”, em 2018, que foi prontamente aprovado e patrocinado pelo Magazine Luiza, através de Lei de Incentivo à Cultura e do Ministério da Cidadania.

Agora em 2019, o projeto foi ampliado, envolvendo umas 400 pessoas, inclusive 9 artistas plásticos, que, por muitas semanas, criaram, produziram e montaram árvores de Natal, distribuídas desde a Vila dos Pescadores, no Sobral, até a Praça Marcílio Dias, em Jaraguá.

Além da abertura com cortejo passando por todas as árvores acompanhados por grupo de sax, na programação (que vai até 5 de janeiro), houve cantata natalina no Coreto, reunindo grande público, entre moradores do entorno e de outros bairros.

E nesta 5a-feira, 18, a partir das 7 da noite, abertura da exposição “Pepitas Populares”, rica coleção do professor e fotógrafo Celso Brandão, + o recital “Folguedos em Cordas”, com maravilhosa Camerata Acadêmica da ETA.

Ah! Todos os eventos do projeto, são gratuitos.

Mas, infelizmente, atos de vandalismo tem danificado árvores. Além da maldade, a intenção é roubar o material de iluminação, inclusive fios enterrados.

A de Pedro Caetano, que fica bem na ponte do Salgadinho, foi a 1a. Danificaram a estrutura e roubaram os refletores. A + recente, foi a de Persivaldo Figueirôa, que fica quase em frente ao Clube Fênix. Fizeram 6 rasgões e levaram todos os refletores. E o + recente furto, cabos de energia enterrados na Marcílio Dias, iluminando elementos decorativos, foram desenterrados, cortados e levados.

O projeto contratou segurança motorizada, noturna, e nem assim, o vandalismo acabou. Será bem difícil manter tudo até janeiro, e não sabemos o que fazer. Impossível afirmar que os moradores em situação de rua são os culpados. Ou se é quadrilha especializada neste tipo de roubo. Órgãos de Segurança Publica já foram comunicados, e enquanto este grave problema não é resolvido, só nos resta denunciar e pedir ajuda. Soubemos que os moradores do Sobral estão de vigília, cuidados das árvores daquele trecho, entendendo a importância deste projeto de inclusão inclusive social, pra população que vive afastada de qualquer celebração. É inconcebível que não haja este entendimento.

Povo se Cultura, sem Arte, sem Educação, não evolui. Alguma sugestão? Desde já, agradecemos!!!