Me confesso horrorizado com a explicita e assumida ignorância do sr. Bolsonaro, principalmente em relação aos temas mais importantes e fundamentais para preservação da vida, incluindo de seres humanos.

Já propôs parceria com os Estados Unidos para explorar a Amazônia,  liberando mineração, remarcando e diminuindo reservas indígenas para plantar pasto, criar gado, além de agronegócios. Em janeiro de 2019, segundo SAD, 108 km quadrados foram desmatados na floresta Amazônica Legal, num aumento de 54% se comparado com janeiro de 2018: no Pará 37%, Mato Grosso do Sul 32%, Roraima 16%, Rondônia 8%, Amazonas 6% e Acre, 1%.

A saúde do povo também em risco, já que liberou uso de quase 200 agrotóxicos, proibidos em outros países. Mas isso já é assunto para outra postagem.

Também confirma total falta de conhecimento, formação e informação sobre a igualmente fundamental preservação de áreas marinhas (verdadeiros santuários de salvamento de várias espécies que correm risco de extinção), quando diz que quer transformar, por decreto, a incrível Estação Ecológica de Tamoios, que agrega 63 ilhas na baía de Paraty. Como unidade de conservação federal de proteção integral, não é possível nenhuma intervenção humana. No caso do sr. Bolsonaro, desumana, já que quer que este paraíso de diversas espécies (ele considera “parado por falta de visão mais objetiva, progressista”). Sic!!! Para ele, o ideal é turismo de massa, que prioriza quantidade, sem se preocupar com a qualidade da natureza onde pretendem instalar resorts enormes, ruas e avenidas lotadas de gente em ônibus de 2 andares, muitos navios, barcos e lanchas cujos combustíveis poluem e matam, sem infraestrutura nem saneamento básico, esgotos nas praias e mais doenças e mortes. Ah! Foi exatamente nesta Estação que o então deputado federal JMB foi multado em R$10 mil por pesca ilegal, mas conseguiu se livrar do pagamento pelo crime e agora, no Planalto, quer acabar com a real riqueza daquele santuário que protege e preserva vidas.

Assim como a mais importante área de biodiversidade de todo o Atlântico Sul, o Parque Nacional Marinho de Abrolhos é berçário de baleias Jubarte no sul da Bahia, de tartarugas ameaçadas de extinção... sem falar num dos maiores recifes de corais do mundo. E depois de 36 anos, o 1* Parque Nacional Marinho do Brasil corre risco de ter gás natural e petróleo explorados, poluindo sua área.

Não bastasse, colocou no comando do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no RG (para onde migram quase 300 espécies de aves) 1 fazendeira, com amplos poderes, apesar de nenhuma experiência, sendo aos 25 anos, engenharia agrônoma e produtora rural, e indicada pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, que quer por lá “alguém de confiança”. Ôxe, como assim??? E o que 1  grupo ruralista quer fazer num parque ecológico nacional??? Agora me digam o que esta moça, que até agora, só trabalhou em suas fazendas de soja e arroz, vai fazer pela Natureza? Já disseram que pretendem repensar as “funções” e o tamanho do Parque.

Sem deixar de citar seu próprio ministro do Meio Ambiente, que, quando foi secretário no governo em SP, foi condenado pelo Ministério Público por fraude no processo de Manejo de Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê. Improbidade administrativa no currículo dele, que, desde que assumiu, vem praticamente legislando em defesa do agronegócio, garantindo fiscalização e punições + brandas, praticamente nenhum controle de agrotóxicos, licenciamentos flexíveis... ou seja, a vida do planeta e no planeta, correndo sérios, graves e irreversíveis riscos.

Comprovadamente, desde janeiro de 2019, Organizações Não Governamentais, Institutos, Fundações e qualquer outras nomenclaturas de entidades que defendem o Meio Ambiente tem sido tratadas como inimigos do governo, que tem cortado verbas, inviabilizando projetos, pesquisas e trabalhos. O Brasil é o país onde mais se mata ambientalistas. Vergonha!!!

Como pode colocar a Funai para ser comandada pelo Ministério da Agricultura, cujo foco é estimular o plantio que gere riquezas (sic!!!) principalmente e prioritariamente, para o setor??? Tudo que não vão, é defender e proteger os interesses dos Índios e seu habitat. Não posso falar neste assunto sem falar nos cortes de verbas nas Universidades e Institutos, cujos alunos investem tempo e estudos em importantes pesquisas sobre o Meio Ambiente, a Vida, e o Homem.

De protagonista mundial pela defesa da Ecologia, o Brasil, que sempre liderou, passa vergonha diante do mundo, com este presidente que diz com todas as letras: “a Amazônia é nossa, e fazemos o que quiser. Não é da humanidade, é do Brasil”.  Com o Meio Ambiente sendo ameaçado, o risco é global, planetário, mundial.

Esta semana, disse que vai livrar turistas da taxa que é paga para preservar Fernando de Noronha, verba fundamental para manter o arquipélago bem conservado. E ainda quer estimular a caça de animais silvestres, alguns em vias de sumir, desaparecer para sempre. Em defesa da Vida, grito “Socorro”!!! 

Créditos das fotos:

Mapa do Brasil - Adnormas/Reprodução

Índio com coçar amarelo verde - Hugo Di Lallo/Reprodução

Flamingos Lagoa do Peixe - Geiser Trivelato/Reprodução 

Floresta: Reprodução