Jon Lord, além de excelente músico, foi compositor,arranjador, maestro, produtor musical e, acima de todos esses ofícios, um grande articulador.
Foi um dos fundadores do Deep Purple em 1968 ,tornando-se o primeiro líder da banda, nessa época formada por Ritchie Blackmore, Ian Paice, Nic Simper e Rod Evans.
Em 1969 foi o grande idealizador do Concert for Group and Orchestra, uma antológica apresentação do Deep Purple com a Orquestra Filarmônica de Londres, regida pelo conceituadíssimo maestro Malcoln Arnold. Nessa apresentação a banda mostrava pela primeira vez seus novos integrantes Roger Glover e Ian Gillan.
Com essa nova formação o Deep Purple alcançou uma performance que poucos grupos conseguiram na história do rock, e Lord passou a exercer suas articulações mais nos bastidores da banda, cedendo a liderança a Blackmore e Gillan.
Em 1974 David Coverdale e Glenn Hughes, entram na banda substituindo, respectivamente, Ian Gillan e Roger Glover.
A saída de Blackmore, em 1975, gera uma crise sem precedentes entre os membros do grupo e Lord volta a exercer a liderarança, num dos mais delicados períodos da existência da banda. Muita gente não sabe mas foi Lord que bancou e deu a palavra final na conturbada ida de Tommy Bolin para grupo e ainda conseguiu controlar os ânimos entre os demais integrantes, principalmente entre o próprio Bolin e Hughes que, devido ao excessivo uso de drogas, eram constantemente criticados por Paice e Coverdale, pois comprometiam a performance do Deep Purple nas apresentações em shows.
Com a morte de Bolin o Deep Purple ingressou num período de hibernação até 1984. Nesse período Lord aproveitou para dedicar-se mais a música orquestral, mas não abandonou totalmente o rock, participando dos grupos Whitesnake e Paice&Ashton&Lord. Além dessas bandas Lord teve rápidas aparições nos grupos The Artwoods e The Flower Pot Men.
O Deep Purple volta em 1984, com força total e Lord permanece na banda até 2002.
Faço parte de uma geração que não se surpreendia muito ao receber notícias de prematuras mortes de popstars nos anos 70. Esses óbitos, em geral ,eram relacionados ao consumo excessivo de álcool ou drogas. A morte de Lord aos 71 anos por outras consequências, entristece, mas ao mesmo tempo reforça a tese de que apesar do “sex and drugs” o rock tem, e sempre terá vida eterna, como eterna permanecerá a presença de Jon Lord nas lembranças dos purplemaníacos e afins...

