Antes de começar, preciso confessar: estou de TPM.

Já deu para perceber? 

Brincadeiras à parte, quero falar de uma sensação que muitas mulheres começam a perceber depois dos 30 e que para muitas, fica ainda mais evidente depois dos 40:

a nossa paciência começa a ficar seletiva.

Não é que a gente tenha ficado chata. É que começamos a entender o valor do nosso tempo.

Depois dos 30, muita mulher começa a olhar para a vida de outra maneira. Já viveu algumas histórias, quebrou a cara algumas vezes, aprendeu com outras e começa a pensar:

“Eu realmente quero gastar meu tempo com isso?”

Nos relacionamentos, então, nem se fala.

Joguinhos, enrolação, sumiços, falta de clareza…

Depois dos 30 a gente começa a querer menos complicação e mais verdade.

E depois dos 40, talvez essa sensação fique ainda mais forte.

A gente percebe que o tempo passou rápido. Que adiou sonhos, aceitou algumas coisas que não deveria e gastou energia tentando fazer dar certo o que, muitas vezes, já tinha mostrado que não funcionava.

Mas não é só no amor.

No trabalho também!

Sabe aquela reunião que poderia ter sido um e-mail?

Pois é. Depois dos 30, ela começa a testar nossa espiritualidade. 

A mensagem que chega com “bom dia” e depois de três minutos, vem:

“Você consegue fazer isso para ontem?”

Aquele grupo de WhatsApp que não para nunca.

A pessoa que manda áudio de quatro minutos para dizer uma coisa que caberia em duas linhas.

E fica esperando você responder para só então fazer a pergunta.

E tem também aquele famoso:

“É rapidinho.”

Quando você percebe, já está há uma hora resolvendo uma coisa que definitivamente não era rapidinha.

A maturidade vai ensinando que nem tudo merece nossa energia.

E isso vale para o trabalho, para as amizades, para a família, para os relacionamentos e até para aquela necessidade de responder todo mundo imediatamente.

A gente começa a entender que estar disponível o tempo inteiro não significa ser uma pessoa melhor.

E que dizer “não posso”, às vezes, é apenas organização não falta de educação.

A gente continua tendo paciência para aquilo que importa: nossos filhos, nossos sonhos, nossos processos, nossos recomeços.

Mas começa a perder a paciência para aquilo que rouba nossa paz sem necessidade.

E falando em perder a paciência…

Vocês já viram aquelas histórias que circulam na internet em que a mulher chega ao limite e a santa paciência simplesmente pede demissão? 

Tem uma anedota que brinca com isso: o marido teria dito que o relacionamento estava “frio” e que queria se separar. A mulher, então, teria colocado fogo na casa. Quando ele voltou do trabalho, ela teria dito:

“Agora está quente.”

Calma, gente!

É só uma piada. Não estou incentivando ninguém a colocar fogo em nada!

Até porque eu não sou psicóloga e não tenho poder para diagnosticar se foi TPM, estresse, acúmulo de pequenas irritações ou simplesmente a santa paciência que foi pelo ralo.

Mas que algumas mulheres conseguem se identificar com a sensação…

Ah, conseguem!

Porque, às vezes, não é uma coisa enorme.

É o acúmulo.

É você sempre compreender o outro e ninguém compreender você.

É sempre esperar, relevar, entender, dar mais uma chance…

Até que um dia você pensa:

“Quer saber? Chega.”

Talvez seja isso que acontece depois dos 30.

E depois dos 40, a gente só fica ainda mais consciente.

Mas cá entre nós mulheres, isso é libertador!

Beijos de poder