Como jornalista, eu já tive acesso a muitas informações de bastidores vindas do chamado “fogo-amigo” que se estabelece nos espaços de poder. São pessoas que, de um modo ou de outro, têm seus interesses contrariados e acreditam que a reação externa na mídia vale mais do que a disputa travada internamente.

Ou seja, é o vale-tudo no poder e pelo poder, de forma antiética e, muitas vezes, até criminosa, a depender do que está em jogo.

Nem sempre a causa é nobre e na maioria das vezes é mais para prejudicar “alguém”, do que mesmo em defesa da coletividade, quando se trata de questão pública.

Portanto, toda cautela é preciso quando nos chega a informação através do “off”.

Faz-se necessário, primeiro, analisar se o assunto é de interesse jornalístico, investigar o que foi passado e avaliar quem passou e porque passou, para não correr o risco de publicar tão somente os “ranços” e os “interesses pessoais” que, em geral, turbinam as tais informações chegadas de dentro dos casulos.

Em quase 38 anos de jornalismo, aprendi a diferenciar o que nos dizem os “bons observadores” e os “urubus de plantão” na política e em outros setores da vida pública, especificamente.

Então, quando vejo hoje na imprensa a falta de cuidado na publicação bancada pelo “fogo-amigo”, lastimo primeiro pelo jornalismo e, depois, pelos os que convivem com esse tipo de gente ao redor.

A dica de hoje é para a atenção ao que nos chega pelo submundo da informação.

Todo cuidado é pouco, para não contaminar o jornalismo.