O fato de um jornalista ser partidário de uma causa, não deve torná-lo adversário de outras. Não profissionalmente. É disso que falo quando defendo a honestidade no jornalismo, ou seja, a publicação de todas ou da maioria das versões de um fato e até mesmo o uso delas na avaliação para a expressão opinativa.

Em tempos de redes sociais e de um país dividido pela intolerância e, por vezes, pelo ódio preconceituoso, seja referente à política, raça, cor, religião, orientação sexual e outras questões que expõem publicamente na polêmica os lados  de quem são a favor ou não, a imprensa deveria ser o diferencial na informação.

É certo que a linha editorial da grande maioria da mídia brasileira sempre levou gosto e dinheiro na proteção de alguns lados, sobretudo no que se refere ao poder político. Mas, nós, jornalistas, que já sofremos censura nas redações, que vimos tantas e tantas vezes nossa pauta morrer antes mesmo de nascer, devemos seguir esse rumo?

Hoje, muitos de nós temos blogs, sites e até impressos, e nossa opinião no mundo virtual segue em igual importância.

Devemos nos comportar como jornalistas que somos ou como militantes, de quais causas sejam? Ou como alguns dos nossos patrões de ontem, cuja régua que media o jornalismo era  a mesma que media as peças publicitárias que chegavam ao comercial, ou seus interesses pessoais junto ao poder político?

Claro que essa régua e patrões assim ainda existem.

Mas esse deve ser o nosso exemplo quando conquistamos a soberania de fazer jornalismo?

Lembro que em 1989, na eleição presidencial, participei em Brasília de uma coletiva à imprensa de Fernando Collor, candidato já no segundo turno com Lula. No local havia muitos jornalistas, a grande maioria ostentando no peito a estrela do PT. Foram entrevistar Collor como eleitores de Lula e não como profissionais de comunicação.

O constrangimento foi geral para quem estava ali como profissional do jornalismo e não como militante, e para o candidato, evidentemente.

Lamentei lá atrás e lamento hoje, quando vejo gente da imprensa postando em suas mídias sociais agressões a quem elegeu como adversário, seja na política ou não, compartilhando falsas informações, desde que beneficie quem está em seu palanque ou prejudique quem está fora dele. E, aí, penso: quando esse profissional vai entrevistar essa pessoa a qual qualifica em suas redes de “bandido”, “irresponsável”, “ladrão”, e por aí vai, tem capacidade para lidar com isso e ser jornalista honestamente?

A intolerância exposta por esses profissionais em suas redes sociais é capaz de não interferir quando o entrevistado for exatamente o alvo desses ataques?

Há quem diga que sim, não duvido até que possa.

Mas, para mim, perde credibilidade o entrevistador, perde força a entrevista.

Todo caso, essa é apenas uma reflexão pessoal para esse domingo. Há entre nós jornalistas, no país inteiro, quem ouse, serenamente, responsavelmente, tomar partido, defender bandeira, e não comprometer sua trajetória profissional, seu nome e sua ética no jornalismo.

Os que se perdem no ódio, não são a regra, graças a Deus.