Com 221 páginas, 16 capítulos e 160 personagens, o jornalista Joaldo Cavalcante reconstitui em seu livro “17 de julho – a gameleira, as lembranças e a história decidida à bala”, um dos dias mais significativos para o jornalismo político alagoano desde 1997.
Na época, eu era editora-geral do jornal Tribuna de Alagoas e lembro que, desde o dia anterior, 16, os jornalistas acompanhavam, apreensivos, a tensão na Assembleia Legislativa e no Palácio do Governo. O diretor de redação, Gabriel Mousinho, e eu, decidimos manter uma equipe dia e noite dentro da Casa Tavares Bastos.
Era previsível que toda a pressão de salários atrasados há meses no estado, falência de gestão e acuamento do próprio governador Divaldo Suruagy, fosse estourar a qualquer momento.
Estourou exatamente em 17 de julho.
Tiroteio, parlamentares sitiados no Poder Legislativo, praça tomada pelo povo, medo, correria, e um governador obrigado a deixar seu mandato à força dos acontecimentos.
Na redação da Tribuna de Alagoas, deslocamos os repórteres de outras editorias para a cobertura geral desse momento. Montamos um QG dentro de um dos nossos carros o mais perto que podíamos chegar da Assembleia Legislativa no auge da confusão. De lá, por comunicação de rádio, orientávamos o nosso pessoal e tínhamos a informação mais próxima do que acontecia do lado de fora.
Lá dentro, já havia uma equipe junto aos deputados.
Dia 18, a Tribuna de Alagoas foi às ruas com uma das melhores coberturas do caso, fotos inéditas, bastidores de dentro da Assembleia e do Palácio do Governo. Praticamente viramos a noite nesta edição.
Um dia inesquecível para os jornalistas que tiveram esse dia como pauta.
O autor da obra não fugiu à regra, esteve, também, como outros atores de sua história, vivenciando esse momento. Ele conseguiu fugir do tiroteio e refugiou-se no tronco de uma gameleira, na praça em frente à Assembleia Legislativa.
E para contar tal enredo, Joaldo, com seu brilhante texto e mente aguçada de repórter investigativo, mergulhou nos arquivos antigos de jornais e na gravação de depoimentos de pessoas que vivenciaram os acontecimentos que culminaram no fogo cruzado entre policiais civis e militares do Estado e os recrutas do Exército. Revela o autor: "Foram quase quinze horas de gravação e algumas centenas de páginas, entre recortes de jornais, textos transcritos de áudios e documentos, como o IPM do Exército".
Quem já leu outras obras de Joaldo Cavalcante, sabe que nesta nos espera uma reportagem bem contada, com dados e versões bem detalhadas. Que o diga o jornalista Vannildo Mendes, que a prefaciou.
A obra será lançada amanhã, dia 17, a partir das 19 horas, no restaurante Anamá, na Ponta Verde.


