Semana passada, duas postagens sobre comunicação nas redes sociais me chamaram positivamente a atenção. A primeira, do jornalista Marcelo Firmino: “Na comunicação, quando o assessor se confunde com o assessorado mete os pés pelas mãos. Pra vestir a camisa não precisa se comportar com dubiedade”. A segunda, da jornalista Tânia Fusco: “O profissional não pode ser sabujo – nem do dono do jornal, nem de seus medos, nem de seu credo pessoal”.


No debate sobre assessoria de comunicação, o que mais tenho visto nos últimos tempos é assessor vestindo a carapuça do assessorado. Lamentável quem tem se prestado a isso. E ainda, quem venha defendendo essa postura como a correta. Assessor não é cão de guarda, não parte para a briga em nome de seu assessorado, não ataca quem critica, não se expõe a ponto de perder credibilidade dentro e fora da assessoria.


Ainda mais, assessor de pessoas públicas.


Dizem que, quem está na chuva é pra se molhar.


Então, quem está na vida pública é sujeito a críticas, sim. Sobretudo na política partidária e, mais ainda, no atual cenário político nacional.


Não cabe ao assessor buscar a unanimidade em torno de seu assessorado no grito. Na marra. Na ameaça. Como se jornalista tivesse que ser capacho de ideologias de esquerda ou de direita, de grupos, de patrulhas.


É papel do assessor, entre outras coisas, fomentar e divulgar a agenda positiva, reagir com dados, histórias e fatos a possíveis críticas infundadas, viabilizar o bom entendimento entre assessorado e imprensa, e cobrar, com ética, a ética que por ventura falte a alguns profissionais jornalistas.


Sem esquecer, obviamente, que o contraditório na mídia é para se debater e não para instigar a crucificação de quem ousa, nas divergências, se expor.


Acerca do jornalismo, é vergonhoso ver que parece ter se tornado regra o Fla X Flu entre colunistas e blogueiros. Uns atacam, outros defendem, e viram, em veículos de Comunicação, sabujos ou de seus chefes ou de seus próprios credos pessoais.


Uma lástima.


De modo que, leio com gratidão, no facebook de Tânia Fusco, relato sobre ensinamento de um velho colega de jornalismo dela:

“Repórter descreve a verdade visível – o que ele viu, como ele viu, onde ele viu, quem ele viu. Repórter relata e não especula. Só pode especular com aspas. Ou seja, no máximo, relatando o que outros especularam e dando nomes aos bois. Quem marca posição – isso eu aprovo, isso não, defendo isso ou aquilo - é o dono do jornal, da TV, da rádio, o empresário, que tem por obrigação definir credo e linha de atuação da sua empresa”.


Em tempo: há boas exceções, tanto no jornalismo como nas assessorias.