Sobre as agressões aos jornalistas Alexandre Garcia e Míriam Leitão, eu vejo o quanto vulneráveis estamos todos nós que fazemos jornalismo no Brasil. Sobretudo, jornalistas que trabalham com opinião.
Penso de que forma podemos nos blindar às manifestações de ódio e de intolerância política e a resposta sempre vem em forma de liberdade de expressão, conquistada em um regime democrático de direito que respeita o contraditório. E questiono-me se há mesmo na democracia de hoje o direito de sermos livres para nos expressarmos, pessoalmente e sobretudo como profissionais de comunicação, sobre quaisquer assuntos, entre eles os governos petistas.
Em um país onde se dissemina ódio em um clima de “nós” e
“eles”, ser jornalista e expor sua opinião, já virou um risco, mesmo ainda
vivendo em um regime democrático. E isso independente da empresa onde se
trabalhe, embora, por certo, ser jornalista da Rede Globo e não tratar o
impeachment da ex-presidente Dilma como “golpe”, torna-se mais perigoso.
Então, o que se fazer?
Como podemos nos proteger?
Será que pensar “diferente” da cartilha lulista é suficiente para sofrermos perseguições, sermos acusados de “disseminar ódio” e até de fazermos mal ao “convívio democrático”?
Toma-me a apreensão de que o alvo é mesmo o controle da mídia.
Uma lástima.
Estaremos sós?
Ou melhor, continuamos sós?
Em tempo: a minha total solidariedade ao jornalismo sem medo.

