Pois, então.
No jornalismo, há fontes que enriquecem as informações com dados primorosos. Por onde eu andei pelo Brasil a fora, na maioria da vezes fazendo reportagens políticas, me vali de muita gente com histórias surpreendentes, com dados exclusivos, com declarações capazes, até, de derrubar poderosos. É fato que uma boa fonte é luxo raríssimo e por isso mesmo tem que ser guardada sob sigilo total.
Penso que o velho Senador Teotônio Vilela, o Menestrel das Alagoas, havia de ser uma dessas excelentes fontes na República dos militares. Ainda hoje, surpreendo-me ao ouvir ou ler fatos protagonizados por ele na política, sobretudo no período em que se largou em peregrinação em defesa de uma Pátria livre e justa.
Os jornalistas mais antigos que eu na profissão, e que conviveram com ele, certamente beberam muito dessa fonte.
E creio que, com Teotônio, nem precisava ter sigilo sobre essa relação.
É que ele, altivo, em tempo de muito cochicho, dizia:
“Só falo em voz alta. Não conspiro. Sou um homem de rua”.
Nas tantas entrevistas dadas por Teotônio e lidas por mim, percebi que perguntas e respostas fluíam com facilidade, como se estivesse ali acontecendo apenas uma conversa franca, entre dois brasileiros. A pauta era apaixonante e Teotônio construía o cenário de esperança em suas palavras, coragem e enfrentamento.
Neste domingo, 28 de maio, celebra-se o centenário de nascimento de Teotônio. Haverá, a partir das 16 horas, na Fundação Teotônio Vilela, em Jaraguá, o lançamento do livro “Senhor República”, da Editora Record, que traz uma biografia política do Menestrel, escrita pelo jornalista Carlos Marchi.
Os Correios também homenageiam o Menestrel com a obliteração de um selo, e o Governo do Estado incluiu a data na programação dos 200 anos de emancipação política de Alagoas.
E, assim, ainda há muito que se ler e o que se saber sobre o Menestrel.
Nesse tempo de obscuridade política nacional, ouso tirar do grito pacífico de Teotônio, a esperança de todos nós:
“De pé, pelo Brasil”.


