Caiu no colo do jornalista Lauro Jardim a delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da empresa JBS, que atingiu gravemente o presidente Temer e o senador Aécio Neves. Há, também, farta munição contra Lula, Dilma e mais 1.800 políticos e 20 partidos, numa generosa distribuição de propinas que chegou ao valor de R$ 600 milhões.

O material não estava completo, o jornalista recebera a transcrição dos diálogos envolvendo Temer e Aécio, mas não as gravações. Não tinha como checar que havia de fato aqueles áudios. Mas era pegar ou largar, divulgar, ou perder a ocasião.

Na velocidade da internet, o profissional de imprensa tem que ter raciocínio rápido nesse tipo de decisão.

Lauro Jardim confiou na fonte que lhe entregou o material.

Apostou, e deu certo.

Para quem vazou, estava valendo o bom senso e a credibilidade do jornalista e a importância do espaço do veículo de comunicação, no caso O Globo, onde Jardim mantém seu blog. A notícia foi dada crua, para depois se ir temperando a cada fato novo que surgia, a cada confirmação do Ministério Público Federal e do próprio Supremo Tribunal Federal (STF), a cada reação dos citados.

O assunto agora independe da primeira postagem.

Ganhou vida própria, já afastou um senador da República do mandato, prendeu um procurador federal e colocou a República de Temer de cabeça pra baixo, entre outras consequências.

A Datena, na Rádio Bandeirantes, Jardim revelou seu sentimento no primeiro contato com o material: “fiquei aparvalhado, impressionado, estarrecido”.

Assim é o jornalismo, um dia atrás do outro. E muita adrenalina no meio.