O material não estava completo, o jornalista recebera a transcrição dos diálogos envolvendo Temer e Aécio, mas não as gravações. Não tinha como checar que havia de fato aqueles áudios. Mas era pegar ou largar, divulgar, ou perder a ocasião.
Na velocidade da internet, o profissional de imprensa tem que ter raciocínio rápido nesse tipo de decisão.
Lauro Jardim confiou na fonte que lhe entregou o material.
Apostou, e deu certo.
Para quem vazou, estava valendo o bom senso e a credibilidade do jornalista e a importância do espaço do veículo de comunicação, no caso O Globo, onde Jardim mantém seu blog. A notícia foi dada crua, para depois se ir temperando a cada fato novo que surgia, a cada confirmação do Ministério Público Federal e do próprio Supremo Tribunal Federal (STF), a cada reação dos citados.
O assunto agora independe da primeira postagem.
Ganhou vida própria, já afastou um senador da República do mandato, prendeu um procurador federal e colocou a República de Temer de cabeça pra baixo, entre outras consequências.
A Datena, na Rádio Bandeirantes, Jardim revelou seu sentimento no primeiro contato com o material: “fiquei aparvalhado, impressionado, estarrecido”.
Assim é o jornalismo, um dia atrás do outro. E muita adrenalina no meio.

