O jornalista não pode confundir fonte com amigo e vice-versa, que não existe off acima da notícia, que assessores devem orientar os seus assessorados que jornalista não é meio, é fim; que o repórter deve preservar a fonte, mas fonte mesmo é aquela em que temos 100% de confiança; que troca de informações entre assessores e jornalistas é um risco que nem sempre vale a pena correr; que repórter deve avaliar bem a informação vinda dos assessores e que assessores devem medir bem a confiabilidade ao passar a informação em off.
Outro dia, entrevistei um político por telefone.
Não nos conhecíamos pessoalmente, tive uma informação sobre ele e fui checar, como manda o bom jornalismo.
Mesmo sem me conhecer, o homem se danou a falar um monte de asneiras, todas divulgadas entre aspas em minha matéria. Evidente que ele não gostou e, também por telefone, me cobrou “consideração” e queixou-se do que eu escrevi.
Perguntei se ele contestava as “informações”, ele me respondeu que não, mas que eu o tinha deixado em uma situação “comprometedora” ao revelar o que ele tinha me "confidenciado". E eu lhe disse, com a delicadeza que me é própria (apesar da fúria dele), o que aprendi, tanto como repórter, quanto como assessora:
- Não se fala para um jornalista o que não se quer ver publicado.
E não, ele não me pediu off, mas se tivesse me pedido eu lhe diria que publicaria cada palavra que me foi dita, porque todas eram relevantes para a minha pauta. Teria evitado o telefonema desagradável para nós dois.
Uma boa semana para todos.

