Tenho lido muito na imprensa de Alagoas e de outros estados, textos jornalísticos envolvendo denúncias contra empresas e pessoas, apenas com a versão da acusação. Sequer se coloca no rodapé da matéria a célebre frase, “fulano não foi localizado”. Tem jornalista que depois de publicada a acusação, com direito a manchete de Capa e divulgação pelas redes sociais, “cobra” uma posição do denunciado.
Ora, então por que não o procurou para dar sua versão no texto onde houve a acusação? Má fé? Ignorância? Despreparo? Preguiça (!!!!!!)?
Vejamos o que eu aprendi no jornalismo:
1 – Há uma denúncia.
2 – Checa-se a fonte e a acusação.
3 - Ouve-se a fonte e até investiga-se outros pontos do fato e, se necessário, ouvindo também outras pessoas que possam confirmar a denúncia ou instâncias que afirmem que os indícios podem levar a investigações, punições administrativas ou legais, etc.
4 – E o denunciado é ouvido.
5 – O acusado não sendo localizado, deve-se colocar na matéria as tentativas que foram feitas para ouvi-lo.
Até mesmo em textos opinativos, como blogs, artigos em impressos e colunas, coloca-se o fato, se dá as versões e então se opina. É evidente que nesses casos a ordem pode ser modificada, mas é imprescindível que sejam esses os caminhos, sob pena de a opinião se fragilizar por falta de elementos que possam dar ao leitor a melhor visualização do caso.
Uma lástima que muitos se esqueçam de fazer o básico do jornalismo honesto.
Em tempo: isso também vale para os telejornais. Em programas de rádio, ao vivo, mesmo sem ser procurado, o denunciado pode entrar no ar e se defender. Mas também deve ser regra o apresentador, na mesma hora, tentar localizar o alvo da acusação.
No mais, um domingo de reflexão para todos nós nesta Páscoa.

