A Palavra de Deus, neste XVI Domingo do tempo comum, convida-nos a pensar sobre a paciência de Deus que cuida de todas as coisas e tudo governa com Justiça e misericórdia. Assim nos lembra a primeira leitura do livro da Sabedoria.

Como seria bom se os responsáveis pelo governo do povo se inspirassem, pelo menos um pouco, na pratica da justiça do Senhor! Por certo, muita dor e sofrimento seriam poupados.

As parábolas narradas por Jesus, no Evangelho, expressam essa paciência de Deus, que não tem pressa; não age, impulsivamente; espera a justiça acontecer, pois, em seu plano amoroso, ele anseia todos praticarem também, a justiça, uma vez dela depender a humanização do homem e a construção de uma sociedade fraterna e solidária.

Um dos modos de se perceber a justiça é ser ela distributiva, restituindo ao outro aquilo que lhe é de direito. O primeiro e fundamental direito de todos é o direito de viver com dignidade, de ter vida. Ninguém pode, impunemente negar esse direito ao outro. Seria como semear, em seu terreno, em meio ao trigo, alimento da vida, o joio que sufoca, engana e até pode matar.

Contudo, é bom ter sempre presente: a paciência de Deus não é inoperante, não leva ao fatalismo. Ela é confiante, na capacidade de o próprio homem mudar, assumir uma nova atitude: a de conversão! No momento oportuno, insurge o agir de Deus ao mostrar a Sua Força aos que duvidam, reprimindo a audácia dos que não O conhecem, pois Ele é Deus e, fora dele, não há outro.

O homem, mesmo com todo o poder adquirido ao longo do tempo, através de sua mentalidade técnica – cientifica, não é Deus! Sua vocação é ser humano. E sem a prática de justiça não existe verdadeira humanidade, pois a justiça nos humaniza a todos. Ninguém pode colocar-se acima do bem e do mal. É justamente essa grande tentação que impulsiona a agir humano, no decorrer da sua historia, marcada por tantas contradições. Ao negar sua humanidade, o ser humano se animaliza. Essa é a mais pura e triste verdade! A justiça dos homens, sem inspiração divina, por si só, se traduz em injustiça, pois a pressa em se apropriar de tudo sai atropelando os outros, provocando dor, violência, exclusão, negando, assim, o direito de o outro viver com dignidade.

Cristãos que somos, comprometidos com a nossa fé, confiantes com a nossa fé, confiantes na força transformadora da Palavra Único e Verdadeiro Deus, como nos revela Jesus Cristo, temos o dever de agir e pensar diferente da lógica daqueles que semeiam o mal, disseminam a injustiça e exalam violência e opressão. Devemos ter em nós, como imperativo ético, a prática da justiça, a promoção do bem e o compromisso com a verdade. Com paciência, mas sem indolência, confiantes nas palavras do Apostolo Paulo na Carta aos Romanos: “ O Espírito vem em socorro de nossa fraqueza... intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis”, devemos seguir adiante, superando nossas contradições e, com testemunho, verdadeiramente cristão, promover, inspirados pela Palavra de Deus, a justiça que constrói a verdadeira humanidade, capaz de transformar o mundo, para nele habitar os verdadeiros filhos de Deus.