No contexto de nossa vida em comunidade, o valor de estar juntos e partilhar a vida de forma profunda na dimensão da comunhão dos corações, é simplesmente ignorado. Somos incapazes de trabalhar com nossos irmãos, de construir projetos comuns, sentimo-nos autossuficientes em tudo. Ditamos nossas próprias normas.
Dessa forma, o outro é desrespeitado na sua dignidade e o coletivo é ignorado como valor, inclusive diante das conseqüências advindas de decisões ou posturas puramente individualistas.
As relações reais são cada vez mais ofuscadas ou negadas pelas chamadas relações virtuais. Às vezes se dedica muito mais tempo com relacionamentos virtuais, esquecendo-se aqueles reais que acontecem no quotidiano. É muito mais cômodo tratar com pessoas que na realidade não existem do que enfrentar o desafio de construir comunidades reais onde o amor e os conflitos fluem do concreto e caminham para atingir aquele nível de maturidade que nos plenifica.
Fazendo a memória de alguns aspectos ou características do contexto no qual vivemos e que, em vários modos afetam nossa vida e nos condicionam ou questionam em nossa missão ministerial e que, indubitavelmente, fazem parte de nosso quotidiano, não podemos nos portar de forma passiva ou indiferente.
Diante destas sombras que pioram sobre o mundo em nosso tempo e afetam concretamente a nossa vida, o que significa ser um ministro ordenado ou um cristão batizado? Qual o desafio que se ergue diante de nós, que temos a missão de trazer luz às trevas? O que se espera de quem é chamado a entrar no turbilhão e na agonia dos tempos e pronunciar uma palavra de esperança? Qual tem sido nossa atitude diante destas realidades que nos desafiam em nossa fidelidade? Como enfrentamos a tentação de promovermos concessões que, muitas vezes ferem a dignidade de nossa profissão de fé cristã?
São Paulo nos propõe um caminha radical: “Não vos conformeis ao mundo presente, mas sede transformados pela renovação de vossa inteligência, para discernirdes qual é a vontade de Deus: o que é bom, o que lhe é agradável, o que é perfeito “ (Rm. 12,2). Nossa atitude frente às realidades do presente de nossa história deve ser movida pela fé que gera em nós uma inquietação operante. Jamais devemos nos colocar de forma passiva e ingênua diante do mundo. Necessitamos de uma consciência lúcida que nos faz discernir com sabedoria. O cristão é chamado a agir com inteligência frente ais desafios do tempo presente.
