Na noite santa da Páscoa, a Igreja, vigilante em oração, cantou solenemente, o Exultet, cântico entoado pelos cristãos, desde os primeiros séculos do cristianismo. Expressão da alegria pascal, do júbilo pela vitória de Cristo sobre a morte, mistério grande da nossa fé.
O Cristo está vivo, é o Senhor ressuscitado pelo Pai na potência do Espírito. Nele, em Cristo, nós também ressuscitamos. Que grande mistério! Como explicar, racionalmente, tal acontecimento, tão estupendo? Como expressar, com nossa linguagem, tão limitada, esta verdade? Ninguém testemunhou, filmou ou fotografou este momento inefável, no qual Cristo vence a morte.
Só a fé nos introduz neste mistério. Como diz a proclamação pascal: “só tu, noite feliz, soubeste a hora em que o Cristo da Morte ressurgia.
Cristo fez sua Páscoa, passou desde mundo para o pai. Com Ele, nós que antes estávamos perdidos pelo pecado e entregues à morte, encontramos o caminho para Deus. A Vida renasce! O ressuscitado abriu-nos as portas da eternidade e nos convida, a cada dia, fazermos, também, a nossa passagem, a Páscoa.
Morrendo para as ilusões e mentiras deste mundo, ressuscitamos com Cristo, para a verdade, para a plenitude da vida, para Deus: nossa verdadeira pátria onde encontramos segurança e proteção.
Alegremo-nos irmãos, exultemos com a certeza de nossa fé. A morte já não tem a última palavra! Para nós, o definitivo é a vida, a ressurreição. Cantemos com o Apóstolo Paulo: “Ó morte onde está a tua vitória?” Jesus está vivo, presente no meio de nós, com a força do seu Espírito.
E é no Espírito do ressuscitado que a Igreja encontra ânimo, coragem para seguir adiante, muitas vezes – segundo a lógica dos bem – pensantes – caminhando na contramão da história, mas coerente com as exigências da fé e fiel ao seu Senhor: incomodando, desafiando, questionando as mentiras, os falsos valores e a cultura da morte, tão presentes, neste mundo pagão.
Isso nos faz lembrar: quando nos desdobramos ao politicamente correto, ao que acreditam os homens, deste mundo, ser a verdade, frequentemente traímos o Evangelho e, agindo assim, correspondendo às expectativas de um mundo sem Deus, deixamos de ser a Igreja de Cristo que, por coerência, deve manter-se fiel ao Senhor.
Páscoa é olharmos adiante, para o alto, cheios de esperança, tendo presente em nós, a exortação de São Paulo aos Filipenses: “Esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente. Corro direto para a meta, rumo ao prêmio, que, do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus” (Fl 3.13-14).
Com Ele, o Ressuscitado, nós podemos acreditar na possibilidade de vencer o mal e tudo que impede a realização plena de nossa humanidade. Contudo, é importante não esquecermos: a Páscoa é uma experiência profunda de fé. Ela acontece em nosso coração. Sem medo de nos abrirmos para Cristo, na certeza de que ele morreu e ressuscitou por nós, deixemo-nos conduzir por sua graça, passemos pelas contradições deste mundo e mergulhemos profundamente no amor incondicional do nosso Deus.
Páscoa é acreditar no novo, no Senhor, porque só Ele pode fazer todas as coisas, ´so nele o eternamente novo acontece. Nos demais, só encontramos novidades constantemente suplantadas pelas fugacidades e infidelidades humanas.
Mais uma vez, escutemos o Apóstolo: “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus: aspirai às coisas celestes e não as terrestres. Pois vós morrestes, e a Vossa Vida está escondida, com Cristo, em Deus” (CI 3,1-3).
